15 de nov. de 2007

Rondoniense por emoção

(A construção de Rondônia analisando discursos.)

Sinto-me um pioneiro,
Paulistano de nascimento
Rondoniense por emoção
Fugi da cidade grande
Procurei um lugar
Para ancorar meu coração

Aqui passei dificuldades
Por várias vezes peguei malária
Passei por muitas necessidades
Da minha terra não trago saudades
Da correria da cidade grande
Quero distancia e não facilidades

Conheci mesmo sem querer
Atoleiros bichos diferentes
Conheci arvores e frutas
Que nem sonhava existir
Mesmo sem querer vi índios
Que devido a minha ignorância
Fizeram-me fugir

O tempo passou embalado
Pelo barulho das motos serras
Das catracas dos caminhões toureiros
Era um boom sem fim
As arvores caindo e eu
Nem dando conta de mim

Aqui neste rincão
Achei minha tampa
Dona Ivone a quem amo
É a dona do meu coração
Meus filhos nasceram
E são minhocas da região

As noites escuras
A chuva no telhado
Lamparinas acesas
Deixando tudo enevoado
O pio dos pássaros
São coisas do passado

As pessoas eram iguais
Ninguém tinha menos
Ninguém tinha mais
Mas o instinto da ganância
Mudou estas gentes
Uns viraram fazendeiros
Outros madeireiros


Nunca cortei uma arvore
Nunca matei um animal
Mas sei que minha presença
Alterou este local
O rio em que eu me banhava
Virou um lamaçal

Prédios casas e praças
Dão conforto ilusório
A energia elétrica me tira o sossego
Para onde foram as corujas
As pacas as cutias e os morcegos
Eu era feliz e não sabia

Dentre todas minhas profissões
Tem uma que me é especial
Sou professor sem dinheiro
Mas com orgulho de um nobre
História é a minha área
Sou história e história faço

Não se torce os galhos
De uma arvore adulta
Quanto mais nova
Mais fácil
Acredito nas crianças
Este é o trabalho que abraço

Para purgar minhas culpas
De minha presença incomoda
Prefiro as crianças
E a elas levo o conhecimento que adquiri
Preservar a natureza
E já é tarde para agir

Com os amigos Tulha e Massur
Criamos uma ong e a CEPEMI
Não há de dormir
Como presidente eu garanto
Não vamos desistir
Lutando por este ambiente
Que ajudamos a destruir

Prof.Wolney Blosfeld

16 Anos

Para dizer a verdade pretendia nomear este texto apenas com o 16. Mas o pessoal que anda lendo poderia pensar que maluqui de vez, pois há poucos dias “soltei” umas outras linhas de pensamento com o título de 45. Naquele um dos temas centrais era o convite a olhar a bunda dela na capa da revista.
Agora a coisa é séria. São os 16 anos.
Por isso não poderia ficar só no 16, precisei adjetivar o numeral. A qualidade desse numeral, que posa de substantivo, é o fato de ele ter idade; não é um 16 qualquer, mas um total de anos.
O propósito desta discussão? Explico!
Li uma reflexão do prof. Paulo Ghiraldelli Júnior (pgjr23@yahoo.com.br), numa lista de contatos regulares. Nesse, e.mail em questão, ele distribuía sua reflexão publicada no jornal O Estado de São Paulo. Na parte que nos interessa diz o seguinte:
Parece que foi ontem, mas já faz 16 anos do fim da União Soviética (URSS). Esse número de anos é importante, o 16, pois é exatamente a idade que um brasileiro precisa ter para ganhar direito de voto. Assim, no próximo ano estarão com direito de voto os brasileiros que nasceram num mundo em que o comunismo não só deixou de existir, mas passou a aparecer na TV como o segundo mais importante vilão político do século 20 (o primeiro continua sendo o nazi-fascismo).
Esses eleitores podem bem ser os filhos dos jovens brasileiros cujas idades são equivalentes às dos que estiveram dando marretadas no Muro de Berlim.
Podemos dizer o que quisermos a respeito daquela situação; podemos condenar ou canonizar o “comunismo”; podemos dizer que a queda do Muro foi mais um golpe de marketing do que de ideologia... mas o fato é que esses dois eventos – fim da URSS e queda do Muro – foram episódios, se não conduzidos, ao menos que contaram com a adesão massiva e maciça de jovens sedentos de liberdade e com objetivos políticos; podemos até dizer que aqueles eventos, como alguns outros, em outras épocas, ocorridos em vários lugares, podem ter sido manipulados por “forças ocultas”. Mas não podemos negar a participação dos jovens.
Mas aqueles jovens cresceram; 16 anos depois, possivelmente seus filhos, como os nossos, no Brasil, se defrontam com uma situação, problemática: a crise dos rumos; crise de identidade; crise de valores... ou seja lá o que dissermos, o fato é que estamos numa época de crise!
Não vamos ser hipócritas e olhemos somente para nosso país. E aqui constataremos uma crise sem precedentes. Trata-se de uma das piores crises de nossa história: trata-se da crise de perspectivas, ou de rumos.
Não enxergamos perspectivas e não oferecemos perspectivas. Perdemos o norte. E nossos jovens são o reflexo dessa crise. E com isso chegamos ao tédio. E chegar a esse ponto é não ter rumos, objetivos... é ante-sala da morte.
Outra vez me sirvo do prof. Paulo que, embora fale com outras palavras e em seu discurso negue a crise, afirma o mesmo que estou dizendo: não sabemos para onde ir!
O que oferecemos aos jovens? Somos pessoas que passaram pela ditadura militar, que nos deixou marcas. Somos pessoas que viveram já 22 anos de democracia, mas não tiramos o País do Quarto Mundo. Mas, como não estamos vivendo uma crise grave, nos levantamos e vamos para o trabalho, cumprimos nossas funções, voltamos para casa e assistimos à TV. Se Renan Calheiros traz mais gente para posar nua, avaliamos - de preferência na internet, pois a revista está cara. E no outro dia fazemos tudo igual. Lutamos para chegar ao que os americanos chamavam de “o tédio da democracia”. Estamos contentes pelo tédio. Pois todas as vezes que nos tiraram do tédio, no passado, não foi bom. Ou foi para nos acordar à noite, nos chamar de subversivos e nos engaiolar, ou foi para nos tomar algum dinheiro por meio de um plano econômico maluco. Então, passamos a dar valor ao tédio.
Ora, o problema é que a juventude odeia o tédio. O nosso gosto pelo tédio não atrai os jovens. Não temos nada de encantador na democracia para oferecer? Tenho uma idéia para quebrar o tédio, a de dizer aos jovens o seguinte: nossa democracia não está acabada, vocês podem ser revolucionários se perceberem que democracia não é só a realização da vontade da maioria, mas a vontade da maioria associada ao respeito pelos direitos das minorias. E nisso há muito que se fazer no Brasil.
Mas nossa falta de rumo, a crise de perspectivas, atinge também a juventude. Por isso vemos nossos jovens, no alto de seus 16 anos, desmotivados de tudo. Descrentes de tudo. Desinteressados de tudo. Olhando para tudo como se isso fosse nada.
E aí me vêm, com essa coisa estapafúrdia de voto. Querem nos fazer votar para dar legitimidade ao desmando, ladroagem, corrupção, desvio de dinheiro público... e querem que os jovens, já aos 16 anos, sejam parte do processo de legitimação desse teatro dos horrores misturado com pastelão e pornochanchada
Estão fazendo até uma campanha ridícula para recuperar o descrédito a que está relegado o título de eleitor. É só olhar para a TV que a gente vê.
E assim estamos: há 16 anos sem contraponto. Aos 16 anos, prestes a cair na tentação do voto. Com 16 anos sem criar perspectivas. E, o que é pior, caminhando na direção da morte dos sonhos.

Neri de Paula Carneiro - Filósofo, Teólogo, Historiador
neri.car@hotmail.com
Leia mais:
www.filohistoria.com.br

Véus de Rondônia

O prof. Wolney acredita que é possivel lermos o hino de Rondônia com mais perspectiva de realidade e fidelidade histórica. Diz ele "Uma proposta mais adequada para o Hino de Rondônia"

Quando nosso céu se escurece
De tanta revolta da destruição
Nós os habitantes de Rondônia
Ficamos pasmados
Com tanta devastação
Como pessoas conscientes
Das mazelas da nação
Que nestas terras antes belas
Presenciam
A sua degradação

Neste eldorado tão distante
A natureza é exterminada diariamente
Os nossos índios a fauna e a flora
Morrem sem ser conhecidos pelas gentes
Maquinas e mentes vão corroendo
A beleza deste rincão
Que com tristeza nos lembraremos
Quando não houver mais solução

Azul nosso céu já foi azul
E deus permitiu que fosse assim
As hidroelétricas engolindo
Este é o triste fim
Aqui toda vida tem valor
Um valor dolarizado
E se foram nossos lagos
Nossos rios e os macacos
E tudo isso teve fim.

Letra: Prof.Wolney Blosfeld
Música: Dr. José de Mello e Silva

30 de out. de 2007

Um Golpe na Educação

O período 1964-1985, em que os militares governaram o Brasil, aparece como uma marca indelével na história do país. Já ganhou inúmeras denominações: para os militares que o conduziram foi uma revolução, para os setores de esquerda ou para quem o contradiz foi um golpe militar ou ditadura, historiadores e outros que o analisam, o período ganha a denominação de anos de chumbo ou estado militar. Não importa a denominação que se dê ao período ou a ótica a partir da qual ele seja visto e analisado, esse é um período que marcou indelevelmente a história.
Não que militares não tivessem, antes, governado o país ou não tivessem feito intervenções na política. Pode-se destacar, inclusive, que foram os militares que instalaram a república e a governaram os primeiros anos da república da espada. Mas em nenhum dos períodos anteriores ganhou as proporções, as características e particularidades que são específicas e que só são encontradas entre 1964-1985.
Nunca, em períodos anteriores, a repressão foi tão amplamente usada atingindo, da mesma forma violenta, todas as classes sociais e todas as categorias e organizações da sociedade. Artistas, intelectuais, sindicalistas, religiosos, estudantes, políticos e vários outros segmentos, viram-se de repente, nas mãos da repressão: perseguidos, presos, torturados e, em muitos casos, mortos. O número de mortos e desaparecidos ainda é um mistério que, dificilmente, será revelado em sua plenitude e com toda a verdade, ante o silêncio que ainda é feito ao redor do tema, além das controvérsias entre os que fizeram e comandaram o período e os que sofreram suas agruras.
Além de ser uma marca na história do país, esse período deixou sua marca, também, na história da educação nacional. Tanto que alguns autores afirmam que além do golpe militar ocorreu, também, um golpe na educação.
A afirmação acima pode ser ilustrada pelas várias crises, conflitos e contradições que podem ser detectados no período em que os militares governaram o país, após 1964. E, para nós que vivemos em Rondônia, esse período pode ser usado para se pesquisar o processo de formação de nossos municípios e, inclusive, como guia para a compreensão da história da educação. Em nosso caso estamos usando o período do golpe para entender o processo de implantação das primeiras escolas em Rolim de Moura – RO.

(Este texto é parte de nosso artigo, publicado na Revista Farol - Faculdade de Rolim de Moura, ano II, nº IV, jul/dez 2006, p. 9-32.
Caso deseje o artigo completo - gratuitamente - solicite em: neri.car@hotmail.com)

Neri de Paula Carneiro
Filósofo, Teólogo, Historiador

Considerações sobre a morte

"Tota philosophorum vita commentatio mortis est" (toda a vida dos filósofos é uma preparação para a morte) afirma Catão de Útica, contemporâneo de Cícero e por ele citado em suas" controvérsias tusculanas". O próprio Catão cometeu suicídio em Útica.

Supondo que a filosofia seja uma preparação para a morte, necessário é fazer algumas considerações sobre ela, a morte.

A palavra morte vem do latim "mors" em oposição à "vita" (vida em latim). Com ela surgem vários vocábulos, tais como: cadáver, finado, defunto, morto, etc. Mas, o que de curioso existe em cada uma dessas palavras?

Olhemos.

A primeira delas, cadáver vem do verbo latino "cadere" (cair); a segunda, finado é o particípio do verbo "finar" (dar fim a); a terceira, defunto se liga ao latim "defunctu" (cumprir inteiramente); a quarta, morto remonta a "mortuu" (que recebeu a morte). Por essas investigações etimológicas, compreende-se que o conceito de morte está, logicamente, ligado à idéia de um acabar, de um cumprir-se .

Mas, o que fica após esse cumprir-se, enquanto morte? Para o filósofo Sêneca, nada resiste. Diz ele: "Depois da morte tudo acaba, mesmo a morte."

Esse acabar é reflexívo, pois se expressa, também, em termo de suicídio. Essa palavra - já registrada, em Inglês, desde 1671 (suicide) -compõe-se de dois termos latinos: "sui" (de si ) e "caedere (cortar). Visto dessa forma, o suicídio é um cortar a si mesmo. Corta-se um dedo, um braço, depois uma vida.

Cortada a vida, aparece a morte? O filósofo Feuerbach diz não: "A morte é um fantasma, uma quimera, pois só existe quando não existe".

A problemática da existência da morte remete a uma questão metafísica, pois não se vê a morte. Observam-se corpos sendo feridos, lesados e não a morte enquanto substância. Não se vê a morte de Sócrates nem a de Jesus. Se não vemos a morte, implicaria dizer que não se morre? O critério da invisibilidade da morte nos conduziria a um "ad immortalitatem" em relação ao ser humano?



Everaldo Lins de Santana - filósofo

20 de out. de 2007

45

Parece estranho, mas o titulo deste texto é esse mesmo: 45.
Mas não estou me referindo ao calibre da bala que simboliza os filmes violentos de violência policial.
45, neste caso, é o tempo pelo qual o camarada lá do senado pediu afastamento: 45 dias.
Depois de tanta chantagem e “maracutaia” (estão lembrados desta palavra?) o sujeito conseguiu não ser afastado pelos seus comparsas nem pelos seus adversários que ficaram com medo que ele jogasse “merda no ventilador”. (Os olhos mais pudicos que me desculpem, mas a palavra é essa mesma! Principalmente porque o camarada ameaçou jogar os nomes de alguns “seniores” fazendo com que o mau cheiro que eles compartilham se espalhasse pela nação inteira – lembrando que cada 3 deles representam um estado deste violentado país, tantas vezes saqueado e estuprado).
Pois é, o cara pediu 45 dias de afastamento.
Tempo suficiente para ele fazer outros conchavos (alguém se lembra dessa palavra?). Tempo suficiente para seus adversários tramarem uma estratégia “honrosa” (como se honra houvesse em trair o país!). Tempo suficiente para se espalhar mais boato que alimenta os veículos de comunicação. Tempo suficiente para que a população, movida pela força da mídia, e não pelas próprias opiniões, esqueça o caso. Tempo suficiente para se procurar outro fato a ser explorado pelos noticiários. Tempo suficiente para que possam trocar as toalhas da pizzaria dos pratos invertidos com dois obeliscos no meio!
45 dias.
Flagrado em mais uma tentativa de violação de direitos individuais, o camarada ainda se dá o direito de se licenciar do cargo, sem perdê-lo ou sem renunciar a ele. Apenas se afastando por 45 dias.
Em seu lugar assume um suplente, pessoa de sua confiança, que foi pinçado ao poder por meio da sombra do mafioso.
Nesse meio tempo rola o lançamento do “Tropa de Elite”, mostrando a face vil da polícia do Brasil ao lado da verdadeira face do crime organizado, do tráfico de drogas e de sua alimentação graças aos discursos inflamados dos “ongueiros” de plantão e de outros tantos consumidores. Tanto que se tornou “clichê” na mídia a afirmação: quem “financia” o tráfico é quem compra a droga. Quem financia o tráfico são os usuários que a compram com dinheiro que é usado para pagar a corrupção, as armas e o contrabando de mais droga. Frisando que quem compra droga não está na periferia, nem nas favelas, nem são as pessoas pobres. É bom que se diga, de uma vez: os usuários pobres não têm dinheiro para comprar droga – a não ser quando fazem pequenos roubos. Quem paga a droga com dinheiro é quem tem dinheiro: pessoas que trabalham ou seus filhos que recebem mesadas. Pobres e filhos de pobres, para usar droga tem que roubar ou trocá-la por serviço: fazendo tráfico ou se prostituindo.
Nesse meio tempo continua o processo de agressão à natureza. Vi e ouvi coisas por aí, nesse meio tempo, que é de arrepiar os cabelos de um careca como eu. Contaram-me alguns chacareiros que viram suas nascentes e igarapés e plantações arrasadas por porcos de um vizinho. Disseram ter procurado todos os órgãos públicos em busca de solução, só ouviram que deveriam procurar tal e tal e tal outro órgão. A resposta foi sempre o silêncio ou o: “procure tal órgão”. Um desses chacareiros filmou os porcos em ação fuçando as nascentes e mandiocais e canaviais e outras plantações e as autoridades procuradas disseram que “vamos verificar”. Nem as emissoras de TV, da cidade, se deram ao trabalho de ver as imagens, menos ainda de fazer reportagens sobre o caso. Ou seja, o meio ambiente importante e que vira notícia é só aquele do outro lado do mundo. Aqui, em nossa cidade, pelas vias legais, para a mídia local, não tem solução. Não chama a atenção!
Nesse meio tempo, um outro sitiante, que está perdendo suas nascentes para as enxurradas que vêm das ruas abertas pela prefeitura. Também não recebeu atendimento. As nascentes de seu sítio, na beirada da cidade, estão ficando completamente assoreadas: Com terras erodidas das ruas de um dos bairros da cidade. Serviços de urbanização, realizados pela prefeitura abriram ruas, abriram esgotos, direcionando as enxurradas das ruas para as nascentes do pobre homem que procura solução, na prefeitura e o mandam procurar tal órgão de onde recebe a orientação de procurar tal outro órgão, que o direciona para outro...
Tudo isso e muito mais, acontecendo nesses 45 dias.
Como diz a letra daquela música: “não existe pecado do lado debaixo do equador. Vamos fazer um pecado, rasgado, suado...” E se não existe pecado, também não existe crime. O crime ambiental, daqui, não é considerado; o crime do senador, lá, não é considerado...
Retifico: existe crime. O crime é dizer a verdade.
É mais fácil eu ser perseguido, processado e condenado por estar falando o que digo nestas linhas, do que quem agride o meio ambiente, ou trai a nação, ou saqueia o povo! Também não será punido quem chafurda nas maracutaias, lá naquele Planalto distante. (A distância, não é geográfica, mas em relação aos eleitores e ao povo deste belo país). Em vista disso afirma-se que Rui Barbosa teria dito: “hoje em dia as pessoas sentem vergonha de serem honestas”
Tudo isso e muito mais nesses 45 dias.
45 dias que um sujeito se deu, de férias – pagas com o nosso dinheiro. Depois ele volta: ou para continuar seu mandato ou para um novo mandato... Tantos outros já voltaram...
Nessas alturas do campeonato...
Sobra-nos o consolo de, olhar a bunda da amante daquele camarada, tirando a calcinha, na capa da revista!!!

Neri de Paula Carneiro
Filósofo, teólogo, historiador.

Filosofia da Religião

Desde Tales de Mileto, século VI a.C., até hoje, os filósofos refletem, de modo radical, sobre o fenômeno religioso.
A tese do filósofo Tales é: "tudo está cheio de deuses". Mas, o que leva Tales a iniciar a filosofia com essa afirmação? Eis aí uma pergunta não muito simples de ser respondida.
É por volta do século VI a.C. que surge a filosofia e particularmente a filosofia da religião. Mas, por que a filosofia, enquanto expressão máxima da racionalidade, toma como objeto de pensamento o que aparentemente está ligado à fé: a religião?
Por que o advérbio "aparentemente"? Ora, religião não é algo essencialmente fundamentado na fé? Vejamos o que diz o filósofo e teólogo Tomás de Aquino: "a existência de deus é afirmada não como ato de fé, mas como fato da razão". Pode-se pensar, falaciosamente, que Tomás nega a fé, o que não é verdade. Embora fé e razão sejam conceitos diferentes, nas suas várias obras, Tomás de Aquino tenta conciliá-los e consegue.
É importante compreender que o objetivo da filosofia da religião está relacionado com estes pontos: 1) a ordem da religião; 2) crítica da religião; 3) fundamentos metafísicos da fé; 4) a razão como critério de verdade para o fenômeno religioso e, por fim, a problemática do absoluto.
Além desses objetivos, filosofar sobre a religião não é levantar bandeira de ateísmo nem de agnosticismo; é, sim,ser cauteloso, ser prudente, ou seja, exercer o senso crítico, a luz da razão nas reflexões sobre a prática e as atividades religiosas.
Se a filosofia é uma crítica radical sobre a realidade e se tomarmos o Absoluto como problema, ou melhor, como uma questão fundamental para o homem religioso, vale perguntar: o que é ou quem é Deus? Esse é um questionamento fundamental para o filósofo da religião, embora não seja fácil a resposta, o que se confirma com as palavras do filósofo e teólogo Santo Agostinho: "quando me perguntam o que é Deus, eu não sei; mas, se não me perguntam, eu sei".

Everaldo Lins de Santana - filósofo

7 de out. de 2007

A Ratoeira

Um rato, olhando pelo buraco da parede viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu para o pátio da fazen-da, advertindo a todos:
-“Há uma ratoeira na casa! Há uma rato-eira na casa”.
A galinha disse:
-“Desculpe-me, senhor rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada. Isso, portanto, não me incomoda”
O rato foi até o porco e lhe disse:
-“Há uma ratoeira em casa. Uma Ratoei-ra!”.
Respondeu-lhe o porco:
-“Desculpe-me, senhor rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado em minhas preces”.
O rato dirigiu-se, então a vaca:
-“Há uma ratoeira em casa”
A vaca respondeu:
-“O que senhor rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!”
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazen-deiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho. Era a ratoeira fazendo sua primeira vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia sido pego. Imaginava que fosse um rato, mas o que desarmara a ratoeira havia sido uma cobra venenosa que picou a mulher do fazendeiro.
O fazendeiro a levou imediatamente para o hospital. Ela foi medicada, mas voltou com febre. E, para alimenta-la o fazendeiro lhe de canja de galinha.
Como a mulher não sarava os amigos vie-ram visitá-la. Para Alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher acabou piorando e morreu. Mui-ta gente veio para o funeral. O fazendeiro, para alimentar a todos mandou matar a va-ca.
Moral: na próxima vez que você ouvir di-zer que alguém está diante de um proble-ma, que não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na fazenda, todos correm riscos. O problema de um pode ser o problema de todos

(autor desconhecido)

2 de out. de 2007

NA AREIA

Veja como nossa mente é maravilhosamente ágil.
Se você conseguir ler as primeiras palavras, seu cérebro “traduzirá” o restante do texto.
Leia-o e depois me envie seu comentário.

NUM D14 D3 V3R40, 35T4V4 N4 PR414 0B53RV4ND0 DU45 CR14NÇ45 BR1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 TR4B4-LH4V4M MU1T0 C0N5TRU1ND0 UM C45T3L0 D3 4R314, C0M T0RR35, P4554R3L45 3 P4554G3N5 1NT3RN45.
QU4ND0 35T4V4M QU453 4C4B4ND0, V310 UM4 0ND4 3 D35TRU1U TUD0, R3DU21ND0 0 C45T3L0 4 UM M0NT3 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 T4NT0 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NÇ45 C41R14M N0 CH0R0. P3L0 C0N-TRÁR10, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1N-D0 D3 M405 D4D45 3 C0M3Ç4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0.
C0MPR33ND1 4 GR4ND3 L1C40: G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N5-7RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L35 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R 3 R3C0M3Ç4R! 50 0 QU3 P3RM4-N3C3, 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 D3 4R314.

(Autor desconhecido)

4 de set. de 2007

O homem, que realidade é essa?

As pessoas vivem em grupos. Essa constatação não re-presenta a realidade total da evolução do ser humano nem da sociedade humana; também não esgota as características do ser humano, hoje visto e entendido como ser de relações. Outras questões precisam ser respondidas: as pessoas sem-pre viveram e sempre quiseram viver em grupo? O que moveu os indivíduos a se agruparem?
Parece que não é errado dizer que nem sempre os seres humanos viveram em grupo, formando o que chamamos de sociedade. Também não erramos quando afirmamos que o ser humano está, constantemente, insatisfeito. E se está insatisfeito é porque possui necessidades. Essa parece ser a principal e, talvez, primeira explicação para a organização das sociedades humanas. A satisfação das necessidades.
Sendo assim podemos dizer que as pessoas gostam de estar sozinhas, mas vivem em grupos. Gostam de estar sozi-nhas porque a solidão permite liberdades que não é possível no grupo. Mas necessitam do grupo porque nem tudo de que precisam conseguem isoladamente. A associação ocorre, portanto, não porque o ser humano é, essencialmente, gre-gário, mas é segregacionista, é sectério, e se agrupa por necessidade de sobrevivência. O grupo, portanto, nasce dos interesses pessoais e das necessidades dos indivíduos.
O que é, então, o ser humano?
Sabemos, inicialmente, que o ser humano é um animal que ganhou a classificação de racional. Aristóteles lhe afir-mou mais uma característica: é político, de onde a caracte-rística da sociabilidade. Racional porque consegue abstrair e aprender com as experiências. E, mais do que aprender, consegue reproduzir e ampliar as aplicações das experiên-cias adquiridas. Isso porque aprendeu a raciocinar. É, além disso, político porque vive, sobrevive e explora as relações sociais. Embora, como dissemos antes, goste do isolamento, prefere viver em grupo. O grupo, portanto, não é essencial, mas opção: para satisfazer suas necessidades, para satisfazer seus desejos, para superar seus medos, para superar suas fraquezas.
Nisso podem ser observadas mais algumas das caracte-rísticas desse ser, chamado homem. Diferentemente dos demais animais, o humano é frágil, desprovido de garras ou pele resistente aos ataques dos predadores e intempéries. Essa fragilidade produziu e ajudou no desenvolvimento de outra característica: o medo. Como mecanismo de superação dos medos os humanos desenvolvem mecanismos para conviver ou para superar adversidades da natureza. Um desses mecanismos é a vida grupal. Os humanos, portanto vivem em grupo, entre outros motivos, porque assim se protegem mutuamente. Tanto para enfrentar a natureza como para atingir objetivos comuns. O grupo passa ser um mecanismo de defesa. Os humanos aproveitam-se de suas fraquezas para produzir forças. A força do grupo nasce de uma característica muito marcante do ser humano: a capaci-dade de tirar benefício dos demais membros do grupo, o que indica outra característica do humano: o egocentrismo, sendo que o grupo aparece como refúgio, fortaleza e espaço de onde o indivíduo tira proveito e benefícios. As relações grupais não estão para o grupo, mas para os indivíduos do grupo. Trata-se, portanto, de uma relação interesseira.
Dessa forma é que devemos entender a característica humana da sociabilidade. A sociabilidade, ou a capacidade de o ser humano viver, sobreviver e existir em coletividade parece ser o que mais bem o caracteriza. Entretanto aqui precisamos fazer uma ressalva. Não nos parece que os hu-manos sejam, essencialmente, seres sociais, mas se fazem sociais a partir de suas necessidades e para superar seus medos.
Dizendo de outra forma, o ser humano é um ser sectário e tende a se isolar e a viver isolado. Socializa-se porque se percebe impotente diante da natureza, mais forte que ele. E, por ter medo de não sobreviver procura ajuda dos seus se-melhantes. Assim se faz sociável numa atitude tipicamente egocêntrica, medrosa e aproveitadora. Para fugir de seus medos e disfarçar sua fraqueza aproveita-se da fraqueza dos seus semelhantes. Assim sendo os indivíduos usam a socie-dade como caminho, preparação, para o isolamento, depois de se aproveitar das fraquezas dos outros seres, como ele, fracos e medrosos.
Além disso, o ser humano se percebe no mundo e se vê completamente diferente das demais realidades existentes. Em todas as correntes de filosofia encontramos a mesma afirmação: o ser humano é pensante. É ele quem dá sentido a existência dos existentes. Dá sentido porque pensa, porque se socializa e porque manipula os elementos da realidade, gerando cultura. Além disso, e sem entrar no mérito da discussão religiosa, pode-se dizer que o ser humano trans-cende à realidade humana.
Pensar não é só o que se pode entender etimologica-mente, com a palavra, dizendo que ser humano é capaz de pesar, avaliar. Esse pensar refere-se também à capacidade humana de fazer escolhas. O ser humano é aquele que ava-lia, escolhe, e faz isso a partir de um processo reflexivo que exige uma postura introspectiva. Esta por sua vez deriva da capacidade de abstração. Na verdade quando se diz que o ser humano é capaz de pensar pretende-se afirmar que ele é capaz de falar sobre as realidades com as quais não está em contato imediato. Ele pode representá-las, mentalmente e nisso se dá um processo de reflexão, pois se trata de “voltar a ver” o que não está presente.
Essas características (pensamento, abstração, manipula-ção...) permitem, que o ser humano produza o que chama-mos de progresso humano (outro nome da cultura). O pro-gresso é resultante da vida social, da superação dos medos e dos desafios. O progresso humano pode ser visto como resultado da capacidade humana de resolver problemas (capacidade reflexiva-pensante) e de se associar a outros humanos para fortalecer suas fraquezas diante das realida-des mais fortes e que demandam inteligência (ler o interior das realidades) e ação conjunta. Progredir implica em supe-rar as limitações humanas e naturais em benefício do grupo e, conseqüentemente, em benefício dos indivíduos. O pro-gresso ganha sentido, como toda ação humana, não em si mesmo, mas pelo benefício que produz.
Daí o sentido da produção humana. O ser humano ma-nipula o mundo e gera cultura. Ou seja, diferentemente de outras criaturas, a humana se autoproduz reproduzindo o meio que o circunda. Recria o mundo natural que o circunda e recria o já criado, dando-lhe novo significado. Sua insatis-fação o leva a re-significar as realidades mesmo as que já possuem significado; recria a utilização e a utilidade das realidades mesmo as que já têm significado e utilidade con-sagrada.
Graças a essa capacidade re-criadora o ser humano po-de produzir o mundo e reproduzir o que existe. Com isso dinamiza não só sua existência como as realidades que o circundam e seus concidadãos. Nesse processo cria ou re-cria a cultura uma das marcas mais tipicamente humanas, pois, principalmente pela sua capacidade de recriar a cultu-ra, o ser humano se diferencia dos demais existentes.

Neri de Paula Carneiro
(texto é parte de material didático para aulas de Filosofia da Moral e Ética Profissional - Se desejar o texto completo, solicite, gratuitamente, para neri.car@hotmail.com)