30 de out de 2007

Um Golpe na Educação

O período 1964-1985, em que os militares governaram o Brasil, aparece como uma marca indelével na história do país. Já ganhou inúmeras denominações: para os militares que o conduziram foi uma revolução, para os setores de esquerda ou para quem o contradiz foi um golpe militar ou ditadura, historiadores e outros que o analisam, o período ganha a denominação de anos de chumbo ou estado militar. Não importa a denominação que se dê ao período ou a ótica a partir da qual ele seja visto e analisado, esse é um período que marcou indelevelmente a história.
Não que militares não tivessem, antes, governado o país ou não tivessem feito intervenções na política. Pode-se destacar, inclusive, que foram os militares que instalaram a república e a governaram os primeiros anos da república da espada. Mas em nenhum dos períodos anteriores ganhou as proporções, as características e particularidades que são específicas e que só são encontradas entre 1964-1985.
Nunca, em períodos anteriores, a repressão foi tão amplamente usada atingindo, da mesma forma violenta, todas as classes sociais e todas as categorias e organizações da sociedade. Artistas, intelectuais, sindicalistas, religiosos, estudantes, políticos e vários outros segmentos, viram-se de repente, nas mãos da repressão: perseguidos, presos, torturados e, em muitos casos, mortos. O número de mortos e desaparecidos ainda é um mistério que, dificilmente, será revelado em sua plenitude e com toda a verdade, ante o silêncio que ainda é feito ao redor do tema, além das controvérsias entre os que fizeram e comandaram o período e os que sofreram suas agruras.
Além de ser uma marca na história do país, esse período deixou sua marca, também, na história da educação nacional. Tanto que alguns autores afirmam que além do golpe militar ocorreu, também, um golpe na educação.
A afirmação acima pode ser ilustrada pelas várias crises, conflitos e contradições que podem ser detectados no período em que os militares governaram o país, após 1964. E, para nós que vivemos em Rondônia, esse período pode ser usado para se pesquisar o processo de formação de nossos municípios e, inclusive, como guia para a compreensão da história da educação. Em nosso caso estamos usando o período do golpe para entender o processo de implantação das primeiras escolas em Rolim de Moura – RO.

(Este texto é parte de nosso artigo, publicado na Revista Farol - Faculdade de Rolim de Moura, ano II, nº IV, jul/dez 2006, p. 9-32.
Caso deseje o artigo completo - gratuitamente - solicite em: neri.car@hotmail.com)

Neri de Paula Carneiro
Filósofo, Teólogo, Historiador

Considerações sobre a morte

"Tota philosophorum vita commentatio mortis est" (toda a vida dos filósofos é uma preparação para a morte) afirma Catão de Útica, contemporâneo de Cícero e por ele citado em suas" controvérsias tusculanas". O próprio Catão cometeu suicídio em Útica.

Supondo que a filosofia seja uma preparação para a morte, necessário é fazer algumas considerações sobre ela, a morte.

A palavra morte vem do latim "mors" em oposição à "vita" (vida em latim). Com ela surgem vários vocábulos, tais como: cadáver, finado, defunto, morto, etc. Mas, o que de curioso existe em cada uma dessas palavras?

Olhemos.

A primeira delas, cadáver vem do verbo latino "cadere" (cair); a segunda, finado é o particípio do verbo "finar" (dar fim a); a terceira, defunto se liga ao latim "defunctu" (cumprir inteiramente); a quarta, morto remonta a "mortuu" (que recebeu a morte). Por essas investigações etimológicas, compreende-se que o conceito de morte está, logicamente, ligado à idéia de um acabar, de um cumprir-se .

Mas, o que fica após esse cumprir-se, enquanto morte? Para o filósofo Sêneca, nada resiste. Diz ele: "Depois da morte tudo acaba, mesmo a morte."

Esse acabar é reflexívo, pois se expressa, também, em termo de suicídio. Essa palavra - já registrada, em Inglês, desde 1671 (suicide) -compõe-se de dois termos latinos: "sui" (de si ) e "caedere (cortar). Visto dessa forma, o suicídio é um cortar a si mesmo. Corta-se um dedo, um braço, depois uma vida.

Cortada a vida, aparece a morte? O filósofo Feuerbach diz não: "A morte é um fantasma, uma quimera, pois só existe quando não existe".

A problemática da existência da morte remete a uma questão metafísica, pois não se vê a morte. Observam-se corpos sendo feridos, lesados e não a morte enquanto substância. Não se vê a morte de Sócrates nem a de Jesus. Se não vemos a morte, implicaria dizer que não se morre? O critério da invisibilidade da morte nos conduziria a um "ad immortalitatem" em relação ao ser humano?



Everaldo Lins de Santana - filósofo

20 de out de 2007

45

Parece estranho, mas o titulo deste texto é esse mesmo: 45.
Mas não estou me referindo ao calibre da bala que simboliza os filmes violentos de violência policial.
45, neste caso, é o tempo pelo qual o camarada lá do senado pediu afastamento: 45 dias.
Depois de tanta chantagem e “maracutaia” (estão lembrados desta palavra?) o sujeito conseguiu não ser afastado pelos seus comparsas nem pelos seus adversários que ficaram com medo que ele jogasse “merda no ventilador”. (Os olhos mais pudicos que me desculpem, mas a palavra é essa mesma! Principalmente porque o camarada ameaçou jogar os nomes de alguns “seniores” fazendo com que o mau cheiro que eles compartilham se espalhasse pela nação inteira – lembrando que cada 3 deles representam um estado deste violentado país, tantas vezes saqueado e estuprado).
Pois é, o cara pediu 45 dias de afastamento.
Tempo suficiente para ele fazer outros conchavos (alguém se lembra dessa palavra?). Tempo suficiente para seus adversários tramarem uma estratégia “honrosa” (como se honra houvesse em trair o país!). Tempo suficiente para se espalhar mais boato que alimenta os veículos de comunicação. Tempo suficiente para que a população, movida pela força da mídia, e não pelas próprias opiniões, esqueça o caso. Tempo suficiente para se procurar outro fato a ser explorado pelos noticiários. Tempo suficiente para que possam trocar as toalhas da pizzaria dos pratos invertidos com dois obeliscos no meio!
45 dias.
Flagrado em mais uma tentativa de violação de direitos individuais, o camarada ainda se dá o direito de se licenciar do cargo, sem perdê-lo ou sem renunciar a ele. Apenas se afastando por 45 dias.
Em seu lugar assume um suplente, pessoa de sua confiança, que foi pinçado ao poder por meio da sombra do mafioso.
Nesse meio tempo rola o lançamento do “Tropa de Elite”, mostrando a face vil da polícia do Brasil ao lado da verdadeira face do crime organizado, do tráfico de drogas e de sua alimentação graças aos discursos inflamados dos “ongueiros” de plantão e de outros tantos consumidores. Tanto que se tornou “clichê” na mídia a afirmação: quem “financia” o tráfico é quem compra a droga. Quem financia o tráfico são os usuários que a compram com dinheiro que é usado para pagar a corrupção, as armas e o contrabando de mais droga. Frisando que quem compra droga não está na periferia, nem nas favelas, nem são as pessoas pobres. É bom que se diga, de uma vez: os usuários pobres não têm dinheiro para comprar droga – a não ser quando fazem pequenos roubos. Quem paga a droga com dinheiro é quem tem dinheiro: pessoas que trabalham ou seus filhos que recebem mesadas. Pobres e filhos de pobres, para usar droga tem que roubar ou trocá-la por serviço: fazendo tráfico ou se prostituindo.
Nesse meio tempo continua o processo de agressão à natureza. Vi e ouvi coisas por aí, nesse meio tempo, que é de arrepiar os cabelos de um careca como eu. Contaram-me alguns chacareiros que viram suas nascentes e igarapés e plantações arrasadas por porcos de um vizinho. Disseram ter procurado todos os órgãos públicos em busca de solução, só ouviram que deveriam procurar tal e tal e tal outro órgão. A resposta foi sempre o silêncio ou o: “procure tal órgão”. Um desses chacareiros filmou os porcos em ação fuçando as nascentes e mandiocais e canaviais e outras plantações e as autoridades procuradas disseram que “vamos verificar”. Nem as emissoras de TV, da cidade, se deram ao trabalho de ver as imagens, menos ainda de fazer reportagens sobre o caso. Ou seja, o meio ambiente importante e que vira notícia é só aquele do outro lado do mundo. Aqui, em nossa cidade, pelas vias legais, para a mídia local, não tem solução. Não chama a atenção!
Nesse meio tempo, um outro sitiante, que está perdendo suas nascentes para as enxurradas que vêm das ruas abertas pela prefeitura. Também não recebeu atendimento. As nascentes de seu sítio, na beirada da cidade, estão ficando completamente assoreadas: Com terras erodidas das ruas de um dos bairros da cidade. Serviços de urbanização, realizados pela prefeitura abriram ruas, abriram esgotos, direcionando as enxurradas das ruas para as nascentes do pobre homem que procura solução, na prefeitura e o mandam procurar tal órgão de onde recebe a orientação de procurar tal outro órgão, que o direciona para outro...
Tudo isso e muito mais, acontecendo nesses 45 dias.
Como diz a letra daquela música: “não existe pecado do lado debaixo do equador. Vamos fazer um pecado, rasgado, suado...” E se não existe pecado, também não existe crime. O crime ambiental, daqui, não é considerado; o crime do senador, lá, não é considerado...
Retifico: existe crime. O crime é dizer a verdade.
É mais fácil eu ser perseguido, processado e condenado por estar falando o que digo nestas linhas, do que quem agride o meio ambiente, ou trai a nação, ou saqueia o povo! Também não será punido quem chafurda nas maracutaias, lá naquele Planalto distante. (A distância, não é geográfica, mas em relação aos eleitores e ao povo deste belo país). Em vista disso afirma-se que Rui Barbosa teria dito: “hoje em dia as pessoas sentem vergonha de serem honestas”
Tudo isso e muito mais nesses 45 dias.
45 dias que um sujeito se deu, de férias – pagas com o nosso dinheiro. Depois ele volta: ou para continuar seu mandato ou para um novo mandato... Tantos outros já voltaram...
Nessas alturas do campeonato...
Sobra-nos o consolo de, olhar a bunda da amante daquele camarada, tirando a calcinha, na capa da revista!!!

Neri de Paula Carneiro
Filósofo, teólogo, historiador.

Filosofia da Religião

Desde Tales de Mileto, século VI a.C., até hoje, os filósofos refletem, de modo radical, sobre o fenômeno religioso.
A tese do filósofo Tales é: "tudo está cheio de deuses". Mas, o que leva Tales a iniciar a filosofia com essa afirmação? Eis aí uma pergunta não muito simples de ser respondida.
É por volta do século VI a.C. que surge a filosofia e particularmente a filosofia da religião. Mas, por que a filosofia, enquanto expressão máxima da racionalidade, toma como objeto de pensamento o que aparentemente está ligado à fé: a religião?
Por que o advérbio "aparentemente"? Ora, religião não é algo essencialmente fundamentado na fé? Vejamos o que diz o filósofo e teólogo Tomás de Aquino: "a existência de deus é afirmada não como ato de fé, mas como fato da razão". Pode-se pensar, falaciosamente, que Tomás nega a fé, o que não é verdade. Embora fé e razão sejam conceitos diferentes, nas suas várias obras, Tomás de Aquino tenta conciliá-los e consegue.
É importante compreender que o objetivo da filosofia da religião está relacionado com estes pontos: 1) a ordem da religião; 2) crítica da religião; 3) fundamentos metafísicos da fé; 4) a razão como critério de verdade para o fenômeno religioso e, por fim, a problemática do absoluto.
Além desses objetivos, filosofar sobre a religião não é levantar bandeira de ateísmo nem de agnosticismo; é, sim,ser cauteloso, ser prudente, ou seja, exercer o senso crítico, a luz da razão nas reflexões sobre a prática e as atividades religiosas.
Se a filosofia é uma crítica radical sobre a realidade e se tomarmos o Absoluto como problema, ou melhor, como uma questão fundamental para o homem religioso, vale perguntar: o que é ou quem é Deus? Esse é um questionamento fundamental para o filósofo da religião, embora não seja fácil a resposta, o que se confirma com as palavras do filósofo e teólogo Santo Agostinho: "quando me perguntam o que é Deus, eu não sei; mas, se não me perguntam, eu sei".

Everaldo Lins de Santana - filósofo

7 de out de 2007

A Ratoeira

Um rato, olhando pelo buraco da parede viu o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia haver ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu para o pátio da fazen-da, advertindo a todos:
-“Há uma ratoeira na casa! Há uma rato-eira na casa”.
A galinha disse:
-“Desculpe-me, senhor rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada. Isso, portanto, não me incomoda”
O rato foi até o porco e lhe disse:
-“Há uma ratoeira em casa. Uma Ratoei-ra!”.
Respondeu-lhe o porco:
-“Desculpe-me, senhor rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado em minhas preces”.
O rato dirigiu-se, então a vaca:
-“Há uma ratoeira em casa”
A vaca respondeu:
-“O que senhor rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!”
Então o rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazen-deiro.
Naquela noite ouviu-se um barulho. Era a ratoeira fazendo sua primeira vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia sido pego. Imaginava que fosse um rato, mas o que desarmara a ratoeira havia sido uma cobra venenosa que picou a mulher do fazendeiro.
O fazendeiro a levou imediatamente para o hospital. Ela foi medicada, mas voltou com febre. E, para alimenta-la o fazendeiro lhe de canja de galinha.
Como a mulher não sarava os amigos vie-ram visitá-la. Para Alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher acabou piorando e morreu. Mui-ta gente veio para o funeral. O fazendeiro, para alimentar a todos mandou matar a va-ca.
Moral: na próxima vez que você ouvir di-zer que alguém está diante de um proble-ma, que não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na fazenda, todos correm riscos. O problema de um pode ser o problema de todos

(autor desconhecido)

2 de out de 2007

NA AREIA

Veja como nossa mente é maravilhosamente ágil.
Se você conseguir ler as primeiras palavras, seu cérebro “traduzirá” o restante do texto.
Leia-o e depois me envie seu comentário.

NUM D14 D3 V3R40, 35T4V4 N4 PR414 0B53RV4ND0 DU45 CR14NÇ45 BR1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 TR4B4-LH4V4M MU1T0 C0N5TRU1ND0 UM C45T3L0 D3 4R314, C0M T0RR35, P4554R3L45 3 P4554G3N5 1NT3RN45.
QU4ND0 35T4V4M QU453 4C4B4ND0, V310 UM4 0ND4 3 D35TRU1U TUD0, R3DU21ND0 0 C45T3L0 4 UM M0NT3 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 T4NT0 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NÇ45 C41R14M N0 CH0R0. P3L0 C0N-TRÁR10, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1N-D0 D3 M405 D4D45 3 C0M3Ç4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0.
C0MPR33ND1 4 GR4ND3 L1C40: G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N5-7RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L35 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R 3 R3C0M3Ç4R! 50 0 QU3 P3RM4-N3C3, 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 D3 4R314.

(Autor desconhecido)