05/04/2009

Aonde estão os sonhos?

Aonde estão os sonhos?
Phelipe Fabres
O continuísmo ainda persiste: acordar, sair, comer, estudar, comer,
estudar, trabalhar, dormir, acordar! Tudo junto, misturado, e ainda
por cima ainda bem cansativo. As roupas, a aparência, os gestos também
estão no mesmo curso de antes. Onde está a dúvida? o medo de não mais
ser quisto? A solidão em noites de tormentas agora dá lugar as
alegrias da companhia de outra pessoa; algo que por muito tempo pude
ter, mas nunca dessa forma nunca nessa intensidade.
Nem só de amor vive o homem!Mas esse sentimento nos faz sentir o que
está ao redor muito mais do que antes, isso sem que ao menos muitas
vezes nós percebamos que estamos assim. Mas é dai que nascem os
sonhos? não há outra motivação? Talvez não seja tão simples assim
senão bastaria um amor para que todos fossemos empreendedores de
viver! Em uma sociedade carente de ídolos nós apenas buscamos
espelhos: no dia-a-dia(casa, trabalho, meio), no entretenimento (tv,
filmes, musica, esportes).
A comoção e por que não a adoração por alguns desses estereótipos de
nosso cotidiano me faz crer que somos ao mesmo tempo o povo mais
alegre quando vemos um vilão cruel (mesmo que maniqueísta!) sendo
escraçhado no horário nobre; ou quando falamos com o maior orgulho que
nosso filho caminhou sem a nossa ajuda. Tudo muito lindo se no meio
disso não ficássemos de braços cruzados para as constantes humilhações
implícitas que sofremos políticas e socialmente simplesmente por
sempre aceitarmos e julgarmos mas nunca agirmos: da euforia a lama,
estamos deprimidos!
Um estado obtuso, introspectivo que somente sai do escafandro quando
lhe é jorrado uma dose de euforia que com ela gera uma esperança para
assim sonharmos novamente e seguirmos ciclicamente repetindo esse
caminho até o fim de nossas vidas, bem repetitivo, bem confortável.
Lembramos da euforia, sorrimos sobre as conquistas proibidas e nos
esquecemos da mudança.
Mas então seria o amor talvez a única forma de se sonhar?Talvez!Ele
exige uma capacidade de ceder para com o outro ,ou seja, ele pode
mudar alguém por simplesmente exigir que esse alguém veja pra dentro
dele mesmo se o que se sucede está correto, justifica seu sentimento.
Andando por seus subterfúgios agora consigo esquecer um pouco minha
"depressão", pois talvez existam outras maneiras de sonhar e viajar
pelos anseios da vida.......só ainda não achei uma estrada tão
colorida!

Trabalho e prazer


Trabalho e prazer
No curso de Especialização em Gestão Publica, na disciplina ÉTICA E RESPONSABILIDADE PÚBLICA ministrada pelo prof. Neri P. Carneiro, uma das atividades era desenvolver um comentário sobre o mundo do trabalho. Um dos resultados dessa atividade foi o acróstico seguinte, elaborado pelos estudantes:
Jackson Eduardo Nogara
Vânia Regina da Silva
Marcio Alexandre Olive de Moraes
Sandra Telma Leite


Tesão pelo que gosta de fazer
Responsabilidade pelos seus atos
Atenção ao executar uma atividade
Busca de algo melhor
Adaptação a diferentes ambientes
Liberdade de escolha
Humildade ao assumir os erros
Otimista por melhorias

Exaustivo

Postura de profissional
Realizado
Autentico
Zelo por suas conquistas
Esperança
Reconhecimento do trabalho.

29/01/2009

O VALE


O VALE

Phelipe Fabres phelipefabres@gmail.com

Em um vale com campos esverdeados , árvores de ipês floridos e rosas
que se espalham por todos os lados em foras unilaterais e desconexas.
Ali apenas o vento sopra por caras, cabelos, mãos, corpos e estes por
sua vez estão andando pois nessa ora o caminhar através do vento,
contra ele, não traz desordem, luta ou dor, traz apenas a sensação, o
cheiro de que esse talvez seja o caminho certo.
Seria essa a diretriz? O caminho em direção contraria? O que seria
agora a alegria? Nós trocamos de lado, mas as duvidas sempre persistem.
A solidão sempre traz momentos reflexivos que por muitas vezes nos
tornam mais sentimentais, mais sensíveis, e principalmente mais
críticos e expostos quanto aos nossos sentimentos. No entanto em vez
de classificá-la como um ultraje a depressão ela deveria ser livre
dessas idiossincrasias: tudo depende da vontade daquele que sente!
Por mais que sempre queremos acreditar que o que rege nossa vida é o
acaso ou a plenitude dos fatos o que realmente define nosso leque de
possibilidades são nossas escolhas. Esses marcos, em nossa caminhada
enquanto seres humanos, definem todas as linhas, os leques de
possibilidades de nossos caminhos. Aí que os momentos conosco mesmos
podem nos ajudar a termos o melhor caminhar pela linha da vida
possível: o auto-conhecimento gera o verdadeiro EU de cada um! Então
assim: "Eu não vou mudar não/Eu vou ficar são/Mesmo se for só não vou
ceder/Deus vai dar aval sim/O mal vai ter fim/E no final assim
calado/Eu sei que vou ser coroado rei de mim."
Rei! O nobre que comanda uma sociedade. Mas o quanto você é rei da mais
complexa integração de seres, você mesmo, é o que talvez definiria o
quanto durante sua vida você poderá caminhar por estradas mais macias,
felizes. Talvez assim sendo coroado possa eu relembrar não do frio, do
vazio, do silêncio amargo dos "outros", mas sim de que a partir dali
eu comecei a "gostar" mais de tudo que sempre tive e nunca percebi: a
felicidade!

25/01/2009

Hostil


Hostil
Phelipe Fabres phelipefabres@gmail.com
Toca alto o som, são as trombetas? Não! É o despertador! Eis que mais um
dia surge em meio a tantos outros, mas hoje o som está mais agudo,
forte e carregado de emoção. Até meu acordar tudo mudou. Pessoas não
pensam mais como 24 horas antes. O que parece é que uma profecia tinha
acabado de se cumprir, o novo Messias acabara de retornar triunfante
com suas asas de nostalgia, seu olhar emanando tenacidade, e assim
nascia uma anjo.......negro!
Por que a euforia? Obama o Enviado? Um misero dia e anos de
anti-americanismo se esfacelaram perante uma lenda: a do unificador de
almas! 250 anos de racismo caíram em uma campanha graças a um povo que
atualmente perdeu seu mais precioso bem, sua identidade.
Sempre taxados de hipócritas, os gringos nada mais eram do que
extremamente auto-confiantes. Tudo em sua nação funcionava e bem,
essa base de que o sistema por eles mantido era melhor de que todos os
outros trazia a boçalidade por nós, os outros, tanto comentada e
criticada. Ai veio a pedra, o louco que disse: "Voltem para o
chão! Somos iguais a vocês"! Boom! Duas torres, milhares de mortos e
principalmente uma identidade jogada no limbo, agora eles respiravam
nosso famigerado ar. E pelos outros lados um sentimento de dor e de
alegria se misturava acentuando a tênue linha que separa o amor do
ódio.
Mas a emoção de ver aquele homem em meio a 250 mil pessoas não só me
fez chorar, mas também enxergar que ali se encontra nada mais que um
RockStar da política que percorreu um caminho de redenção, luta , e
muitas dificuldades: bem Hollywood! O que eu vejo é um grande jogador
de palavras, alguém que com um olhar mostra todo o seu caráter, a sua
luta em torno de conseguir ser um cidadão. Toda a história sempre
esteve contra ele, isso que ele passa: "Yes, we can!(Sim, nós
podemos!)". E o mundo pode e quer de volta o seu regente, simplesmente
por que ele, por mais de um século, é quem dita as regras, é quem move a
engrenagem para a máquina funcionar. Simples. Nosso Padrinho voltou!
Como um legítimo Corleone, o Tio Sam deixa todos os seus apadrinhados
agirem como bem entenderem, desde que sigam suas premissas. Bate com
uma mão e afaga o ego com a outra, mas também segue de modelo para que
quando ele sucumbir o próximo siga o mesmo caminho. Por isso que queremos
sua volta, pois sua queda não foi total e assim a cadeira de "chefe"
da "máfia" das relações internacionais ainda está preenchida.
Eles me venderam um mágico, assim como comprei um nacional a quatro
anos. "A mudança chegou!", ambos falaram. Mas no tupiniquim faltou a
mágica de transformar todos os sonhos em realidades, todas as promessas
em concretizações. Mas aqui o fracasso é histórico (infelizmente).
Todos só tem esperança, sem mágica ainda. Mas é bom que ele esteja
bem treinado em concretizar como estava em prometer senão, "O mundo
inteiro é hostil!"

Crônica de uma crônica em uma crônica!‏

Crônica de uma crônica em uma crônica!‏
Phelipe Fabres - phelipefabres@gmail.com

E tudo começa novamente! Um grande circulo, que por vezes penso ser
sincronizado, com pontos marcados minuciosamente posicionados para que
apenas a perfeição do "passar de estágio" possa ser observada. E tem
um som! Seco e eficaz como um grito que pode ou não extravasar os
melhores ou maiores pormenores desse que apenas é o tempo da vida, que
bate, que toca, que conta, mas que sempre vai e sempre volta para de
onde ele nunca saiu: de nós mesmos!
Não é raro: é invisível! O ciclo depende daquele que o sente, essa
eterna gangorra de altos e baixos com um singelo toque de melancolia é
que me deixa capcioso, inquieto e por vezes confuso. Qual será o meu
ciclo? O que está por vir na próxima página? Onde fica essa fonte de
inesgotável entusiasmo e relevância que nominamos novidade? É nela:
uma variável!
Pode parecer coisa de "nerd", mas a variável sempre muda tudo: seja um
amor que surge e deixa a vida sem mais arestas apenas continuísmo;
talvez uma reconciliação de amigos, irmão familiares que permite a
reflexão no por que de sempre termos dificuldade de controlarmos nosso
próprio ego; ou quem sabe o retorno dos ausentes, dos que se foram
seja na lembrança, presença ou na dor de uma ferida que nunca
cicatrizou de verdade. Depois desses momentos sempre há um recomeço,
podendo ser trágico, eufórico, mas com certeza moldado com muita
vontade e constatação de que esse é o mais importante de toda a nossa
existência.
"Só eu sei/Nos mares por onde andei/Devagar/Dedicou-se mais/O acaso a
se esconder/E agora o amanhã, cadê?", ta aqui na frente reluzindo.
Essa é a frase poesia de baixo ciclo, de destempero. Daí: "Eu quis te
convencer, mas chega de insistir/Caberá ao nosso amor o que há de
vir/Pode ser a eternidade má/Caminho em frente pra sentir saudade",
vem luz do sofrimento que sempre traz a verdade: somos feitos pra
suportar essa variação destemperada, pois nós acrescentamos o "molho"
que dá o gosto de nossa existência.
Somente de sons então seguimos, musicas que começam e terminam. De
repente uma animada, no outro uma triste, mas sempre todas verdadeiras
obras primas compostas pelo senhor de sua existência: você! E
repete-se até que uma hora ela não fará mais nenhuma diferença, pois
o que era novo se torna senso comum, ai é o momento em que ela se torna
diferente, fala outra língua e assim segue sem começo, meio ou fim
apenas uma disco em uma vitrola esperando a única coisa que pode
determinar sua partida: o tempo que é aliado se tornar mais um vilão,
eis um contraste da vida!

29/09/2008

A TERRA PEDE SOCORRO


Um dos trabalhos da III Conferencia Escolar do Meio Ambiente, realizada na Escola Maria C. Lira, de Rolim de Moura-RO, foi esta música composta pelas alunas:
GISELE TRANSPADINI DE SOUZA;
MICELLI GROHALLSKI;
TATIANE OLIVEIRA DO CARMO.
As três garotas nos convidam a olhar com mais atenção para os problemas ecológicos e a tomar uma posição. Dizem elas, diante dos problemas decorrentes do efeito estufa, aquecimento global, caos ambiental, que é imprescindível tomarmos uma posição: “Se a gente preservar, a terra vai mudar; os pássaros vão voar e a terra vamos salvar”
Vale a pena acompanhar a sensibilidade juvenil e o convite para que façamos uma corrente em defesa do Planeta.

A TERRA PEDE SOCORRO

Agente vê a natureza
Vê passarinhos no Ar
Se cortarmos todas as arvores,
Onde é que eles vão morar.
Os bichinhos estão morrendo
Por causa do desmatamento,
E toda terra esta sofrendo
Com que vem acontecendo.

Refrão: Se a gente preservar
A terra vai mudar
Os pássaros vão voar
E a terra vamos salvar.

A gente vê os esgotos
Lixos jogados no chão
Se cuidarmos da nossa terra
Vamos acabar com a poluição.
Vamos lutar pela terra
Para tudo acabar
Chega de tempestades
O planeta vai mudar.

Refrão: se a gente preservar
A terra vai mudar
Os pássaros vão voar
E a terra vamos salvar.

Gisele Transpadini de Souza;
Micelli Grohallski;
Tatiane Oliveira do Carmo

28/09/2008

ÉTICA e degradação humana

Os textos que seguem são resultado de algumas aulas de ÉTICA PROFISSIONAL, com alunos de Administração de Empresas da FAP-Faculdade de Pimenta Bueno-RO.
Após algumas aulas e discussões, leituras de textos e audição de algumas músicas os alunos foram desafiados a dar sua opinião a respeito da degradação humana produzida pela sociedade atual.
O mote para a discussão e produção dos textos foi a música: Dança dos desempregados, de Gabriel, o Pensador


RESPEITO AO SER HUMANO

E sem o seu trabalho o homem não tem honra
E sem a sua honra, se mata se morre.
Não da pra ser feliz, não dá pra ser feliz... (FAGNER)

A dança do desempregado de autoria e interpretação do Gabriel Pensador, cantador e compositor de rap da melhor qualidade, descreve uma situação, que começa com a perda do emprego e termina com a perda da dignidade. Isso prova a tese de Fagner na letra da musica acima, que sem trabalho o homem não tem honra e não dá pra ser feliz.
O ser humano é um ser criativo, produtivo e social, ele só vive bem, criando, produzindo e se relacionando. Ao ser demitido, levar um “pé na bunda” ou perder o emprego é como perder o referencial. O desemprego afeta as relações sociais, com os familiares, com os colegas, com o mundo. O Professor Lair Ribeiro em uma de suas palestras em Pimenta Bueno disse que, qualquer pessoa ao iniciar um diálogo com um desconhecido, em menos de um minuto de conversa, ela já indaga sobre a ocupação daquela pessoa; o que você faz? Onde você trabalha? Na verdade, as pessoas são reconhecidas e lembradas pelo que fazem. É por esta razão que Fagner afirmara em sua música, que sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra o homem é capaz de tudo, menos de ser feliz.
Gabriel Pensador traduz esta visão de forma simples e detalhada em sua canção A DANÇA DO DESEMPREGADO. O vocabulário empregado não deixa dúvidas: “rodar bolsinha”, levar “pé na bunda”, “ir pro olho da rua”, contrabandear e prostituir, são saídas nem sempre honrosas para um trabalhador do mercado informal e para quem se acostumou levar a vida de forma ética e correta. Ao afirmar que “quem ainda não dançou ta na hora de aprender” e que o próximo “dançarino pode ser você”, ele revela a instabilidade do mercado de trabalho em 1.997 ano em que foi lançado o CD quebra cabeça. O País vivia o inicio da experiência do Plano Real e a economia estava estagnada e sem perspectiva de crescimento, o desemprego batia recordes e o poder de compra estava reduzido. A oferta de vagas no mercado formal de trabalho nem se fala.
Num “seminário com o titulo: “Passos Práticos para a Construção da Paz” realizado em Brasília em 13 de Novembro de 2001, a UNSESCO deixa claro uma questão sobre a violência e a degradação humana: “hoje, o desafio não consiste mais em frear apenas as guerras e seus horrores, mas a violência, em todas suas formas. - em casa, no trabalho, na comunidade, entre os indivíduos e entre os países – que mina as bases do desenvolvimento humano”.
EUGENIO BORTOLON do MP de Porto Alegre ao deparar com a população de rua de sua cidade afirma estarrecido: “a degradação humana atingiu um nível perigoso”. A constatação de um grande número de pessoas de todas as idades dormindo amontoadas e fazendo suas necessidades fisiológicas na rua chocou não apenas por elas estarem ali, mas pela forma como a elite, “civilizada” os encara.
Segundo ele, a degradação humana é tamanha entre os ditos humanos que, a poucos dias no site You Tube e, posteriormente, pela mídia tradicional, algumas pessoas se estarreceram com declarações de artistas, diretores de televisão e pessoas da alta sociedade do Rio, que afirmavam se divertir jogando coisas pelas janelas. Ovos podres, flores velhas e outros objetos, só para se regozijar e olhar soberanamente do alto de prédios chiques as iradas pessoas lá de baixo gritando palavrões ao serem atingidas.
Alguém chegou a dizer que jogava ovos podres - apodrecidos com requinte e preparados quimicamente - nos vagabundos e vagabundas do mundo, como se a ele fosse dado o dom de distinguir quem pertence ou não a este 'grupo' humano de desgarrados. Será que estes degradados seres humanos, artistas do tiro ao alvo, são melhores ou mais cidadãos do que aqueles que dormem e fazem todas as suas “higienes” nas ruas? Essa questão é fácil de ser respondida disse ele. Sem dúvida, eles, os jogadores de ovos podres e outros objetos mais do alto dos seus mundinhos, são muito mais pobres. Muito mais pobres mesmo, infinitamente mais pobres. A eles não foi dado o dom de serem sequer humanos, completou indignado o Sr. BORTOLON
O ser humano é essencialmente criativo, produtivo e social. Alçá-lo a qualquer outra situação que não, a de criar, produzir e se relacionar, é negar-lhe a própria condição de ser humano, é impedir a sua felicidade.

“O homem se humilha se castram seu sonho. Seu sonho é sua vida e a vida é trabalho. E sem o seu trabalho, um homem não tem honra e sem a sua honra se mata, se morre. Não da pra ser feliz, não da pra ser feliz...”

Acadêmicos do 4º período de Administração - FAP
Joaquim Lopes Louredo
Matilde Teixeira da silva
Marcilei Borges dos Santos


COMO RESPEITAR O SER HUMANO?

Nós acreditamos que para o ser humano ser mais respeitado, com o seu direito de ir vir, independentemente da forma que o faça, nós precisamos encontrar alguma forma, e isto sim passa por nós acadêmicos, além de passar primeiramente pelas mãos dos gestores públicos, uma forma de garantir serviços básicos a uma sociedade cada vez mais carente e sem rumo.
Porque os líderes de algumas nações do planeta não se preocupam em garantir um meio para que suas populações tenham uma forma igualitária e digna para manter-se vivos e assim garantir sua existência?
Nos últimos anos tivemos mostra do que o “poder” nas mãos de pessoas sem capacidade nenhuma para ocupar os respectivos cargos, nos vimos civilizações serem praticamente dizimadas em guerras ou muitos outros casos de desrespeito ao ser humano.
Acreditamos que um líder de verdade, procura guiar seu povo na busca de dias melhores e não atender seus próprios interesses utilizando a desculpa que esta fazendo tais atitudes pela vontade e bem do povo.
Cabe a nós cobramos que para sermos respeitados por nossos gestores públicos; para que eles nos garantam uma vida digna com serviços básicos sendo postos a nossa disposição com um nível de qualidade alta, pois para isso pagamos impostos. Mas também temos que ficar cientes que se nós não reclamarmos por nossos diretos não estaremos usando nosso poder de cidadão .
Para que se cumpra aquilo que fora prometido, cabe ao eleitor cobrar de seus representantes; que sua participação não passe em branco. É preciso que se cobre melhorias no bairro, a cidade e enfim, como estamos em época de eleições e importante analisar a competência, histórico escolar e o passado dos candidatos, para que a escolha não se tornar um prejuízo para as demais pessoas do seu município.

acadêmicos:
Jordan Marinnho - 2º Periodo de Administração
Lucas de Paula Paiva - 1º Periodo de Sistemas de Informação
Carlos Augusto Fabri Santana - 4º Periodo de Administração

21/05/2008

BELEZA PÕE MESA OU NÃO?

(Pedro Muniz)

Quando Deus criou o homem
Viu-lhe naquela aflição
Viu também necessidade
De acalmar-lhe o coração
E perguntou-lhe porém
Me diz que diabo tem
Que não sossega Adão?

Ele respondeu, não sei
Sinto um aperto danado
Machucando o coração
Como se fosse arrancá-lo
Deus disse: é brincadeira!
E fez uma companheira
Para poder acalmá-lo

Vai dormir, para acalmar-te
Que eu vou ver o que faço
Quando acordou ele estava
Com dor debaixo do braço
Deus arrancou-lhe a costela
E fez uma mulher bela
Da cabeça até embaixo

Mas Adão ainda não tinha
Na vida muita malícia
Ficou só a apreciar
Do paraíso a delícia
Só descobriu o amor
Quando Eva o agarrou
E lhe fez uma carícia

Até hoje nós pagamos
Pelo “erro” de Adão
Por ele não ter controle
Sobre o próprio coração
Padecemos até morrer
Sem ter a quem recorrer
Morremos sem salvação

Mas Eva era bonita e,
Afinal só tinha ela
E Adão tinha direito
Pois era sua costela
Fez o que fez porque quis
Querendo ele ser feliz
Nos meteu numa esparrela

Mesmo assim somos felizes
Pois podemos escolher
Tem tanta mulher no mundo
Que um dia quando eu morrer
Meu nome está no caderno
Do comandante do inferno
Não tenho pr’onde correr

Pra pegar mulher bonita
Exige todo um ensaio
Você fica meio longe
Olhando só de soslaio
Que é para não ter surpresa
Perdendo assim sua presa
Por causa de um “atrapaio”

A feia é só chegar
Não precisa encenação
Agarra ela pelo braço
Derruba ela no chão
Diz vou tirar meu atraso
“pegar” você depois “vazo”
Me diga se quer ou não

Pra encurtar a história
Eu vou ao “x” da questão
Responder sobre a beleza
Se ela põe mesa ou não
Isso não me aperreia
Se eu “pegar” mulher feia
É pra não ficar “na mão”

Esse questionamento
Me trás alguma tristeza
Exige muito cuidado
E bastante sutileza
E pra não magoar ninguém
Todas elas sempre têm
No fundo alguma beleza.

Pedro Muniz
Acadêmico de Letras
FAP – Pimenta Bueno - RO

14/04/2008

Apreciação sobre o Coçar

Apreciação sobre o Coçar
Everaldo L. Santana - Filósofo
Certa vez, o filósofo francês Montaigne sobre o coçar comentou: "coçar é uma das mais doces recompensas da natureza e a mais à mão". Será que Montaigne tem razão ao chamar o coçar de doce? O que é esse coçar que fez o filósofo se expressar dessa forma?
Há, de certo modo, uma razão no que Montaigne disse. Vamos a ela.
A razão de Montaigne está no fato de que a palavra coçar se deriva do latim "coctiare" que possui estes significados: cozinhar, preparar ao fogo, queimar, agitar. Em grego, o coçar se traduz pela palavra "knizo" que apresenta estes sentidos: inflamar, excitar. Daí se entende que o ato de coçar expressa uma agitação seguida de uma excitação. Essa agitação e excitação ocorrem em função dos nervos, só há coceira onde existe terminação nervosa, portanto, nem as unhas nem os cabelos coçam, pois neles não existem nervos.
Como foi dito acima, do ato de coçar participa a excitação e nela também se inclui o prazer, pois coçar é um ato prazeroso enquanto "doce", como disse Montaigne. O coçar é tão prazeroso e sublime que levou o rei da Inglaterra Jaime I a afirmar: "Ninguém além dos reis e príncipes deveria ter comichão porque a sensação de coçar é sublime". E há um provérbio antigo que diz: "melhor que fortuna é coçar onde precisa". O escritor Montagu cita um personagem Thomas Carlyle que fala: "o auge da felicidade humana é coçar onde precisa". Outro provérbio antigo diz: "você coça as minhas costas que eu coço as suas". Eis aí fatos de como a coceira participa intensamente da vida humana a ponto de ela exprimir um modo de comportamento que reflete a maneira de pensar coletiva e individual. Coletiva enquanto social representado pelos provérbios; individual enquanto opinião particular, subjetiva.
Não se vá pensar que apenas o ser humano sente e explicita o fenômeno do coçar. Os animais, sejam eles silvícolas ou domésticos reagem, em forma de coceira, quando os insetos e as intempéries excitam suas terminações nervosas. Dessa forma, animais e humanos experimentam o mesmo fenômeno, porém guardando as devidas proporções.
Além dessas referências, o dramaturgo inglês William Shakespeare produz uma conexão entre coçar e opinar, eis aí : "what's the matter, you dissentious rogues, that, rubling poor itch of your opinion, make yourselves scabs?" (o que há, patífes arruaceiros, que esfregando a pobre coceira de suas opiniões, conseguem formar cascas?).
Tendo ainda o evento coçar como elemento em baila, o escritor Montagu apresenta duas outras citações: a de Samuel Butler e a de Ogden Nash. Ei-las: Samuel Butler: "...he could seruples dark and nice, and after solve in a trice, as if divinity had catch'd the itch on purpose to be scratched". (...ele conseguia criar escrúpulos nefandos e ou doces, depois resolvê-los num átimo, como se a divindade tivesse contraído sarna com a finalidade de ser coçada). Ogden Nash: "one bliss of which there is no match is when you itch to up and scratch". (uma bênção para qual não há igual é quando a gente sente um comichão dos pés à cabeça e se coça todo então).
Essas três pontuações em torno do prurido (do coçar) não ficam apenas no âmbito prosaico. Em épocas remotas, ou seja, em tempos nos quais as sociedades mais antigas e de caráter religioso, o controle sobre as reações do corpo era uma prova de elevação espiritual, de modo que quando alguma parte do corpo coçava, o religioso não fazia nenhum esboço que indicasse intenção de coçar a referida parte corporal. Esse ato era praticado por monges orientais em seus momentos de meditação. Controle total sobre o corpo implicava em ignorar qualquer ação externa. A imobilidade em estado de concentração não admite coceira, a qual provocaria a desconcentração. Ignorar o externo. Eis o lema dos monges.
Finalmente, o ato de coçar é particular e intransferível, entretanto controlável. Houve época em que escravos brancos e negros eram proibidos de se coçarem enquanto serviam a seus algozes. Visto assim, até a coceira é, de certa maneira, manipulada.

17/03/2008

Filosofia: origem e desenvolvimento

(Apontamentos provisórios para aulas de filosofia)
Prof. Ms. Neri de Paula Carneiro neri.car@hotmail.com

Existem alguns meios que podem facilitar o estudo da filosofia, em sala de aula, com estudantes do ensino médio? Essa mesma concepção vale para o ensino superior?
Uma das formas de responder a essas indagações é a constatação de que a filosofia volta sua atenção sobre todas as realidades. Outra forma de estudar filosofia é buscar suas origens. Esta é nossa preocupação com este pequeno texto buscar resposta para as indagações que nos ajudem a entender quem faz filosofia e sua origem e desenvolvimento, até chegar a nós.

1- QUEM FAZ FILOSOFIA?

Esta é uma questão com resposta aparentemente fácil. Sabemos que filosofia é um processo de busca de conhecimento; um processo pelo qual se reflete a realidade. Tendo isso presente fica quase evidenciada a resposta: o ser humano é quem faz filosofia.
Mas quais seres humanos? Todos?
Não!
Não são todos os seres humanos que fazem filosofia. Todos podem, mas nem todos fazem. E isso por um motivo simples: A filosofia é um processo de busca de conhecimentos, mas nem todos estão preocupados em buscar. Muitos aceitam e se acomodam na mediocridade. (“Sempre foi assim, nunca vai mudar!”, dizem alguns, no que são secundados por outros: “pau que nasce torto, morre torto!”).
A filosofia é um processo de crítica da realidade, mas nem todos estão interessados em desenvolver ou passar por esse processo. Muitos aceitam e se acomodam à realidade tal qual ela se apresenta; não querem nem procuram mudanças (deixa como está para ver como é que fica!).
A filosofia é um processo de pensar (a palavra pensar tem o mesmo sentido de pesar, estabelecer valores, avaliar) todas as realidades, mas nem todos estão dispostos ou com pré-disposição para isso. Muitos preferem ser pensados, e conseqüentemente aceitam ser manipulados, conduzidos (possuem uma "consciência de rebanho"), pois quem não pensa é pensado! Quem não tem rumo segue o rumo que lhe é imposto.
Agora leia o que disse K. Jasper, filósofo alemão, que viveu no século XX, a respeito de como a filosofia é vista:
“Muitos políticos vêem facilitando seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteligência de rebanho, É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensinem, menos estarão os homens arriscados a se deixar tocar pela luz da filosofia.
Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A autocomplacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente de vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a bonomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário – tudo isso proclama a antifilosofia. E os homens não o percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a antifilosofia é uma filosofia, embora pervertida, que, se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação.” (JASPER, 1973, p. 139-140)
Para ajudar a entender melhor isso que estamos dizendo, vamos ler o texto seguinte:

a- A História dos Cordeiros
“Os cordeiros viviam felizes numa fazenda. Pastavam, andavam de um lado para outro. Acreditavam que eram livres e felizes, pois assim se comportavam, correndo dentro do cercado que acreditavam ser sua casa.
Diariamente o pastor lhes alimentava, cuidava deles e todos os cordeiros seguiam o pastor. O pastor os chamava; conhecia-os pelo nome conduzindo-os para onde lhe aprazia.
Todos os dias os cordeiros entravam na fila para se dirigir ao cercado, onde o pastor os alimentava, dava sal, acariciava seus pelos; de vez em quando era necessário um medicamento e ele lhes aplicava. No tempo do calor o pastor os tosquiava. E todos achavam aquilo maravilhoso, pois a lã, que lhes cobria o corpo, era muito quente.
Quando estavam soltos, no pasto, dentro do cercado, vinha o pastor e os chamava:
- Venham meus cordeirinhos. Sigam-me. Entrem na fila meus cordeirinhos.
E o pastor os condizia para onde achava conveniente:
- Venham meus cordeirinhos. Sigam-me. Entrem na fila meus cordeirinhos.
E todos o seguiam. Ele era seu líder e todos o admiravam.
- Venham meus cordeirinhos. Sigam-me. Entrem na fila meus cordeirinhos. Entrem no cercado, meus cordeirinhos.
Houve um dia, entretanto, em que ao ritual foi acrescentada uma longa permanência no cercado. Alguns até acharam estranho, mas o pastor, seu líder assim o fizera e eles se acalmaram:
- Calma, meus cordeirinhos. Fiquem calmos dentro do cercado.
E os cordeirinhos ficaram calmos, pacificamente, na mangueira. O pastor os tosquiou e lhes disse:
- Esperem mais um pouco meus cordeirinhos. Hoje não vou lhes soltar para o pasto.
Os cordeiros viram uma movimentação diferente. Mas acreditavam no pastor que veio novamente:
- Vamos meus cordeirinhos, entrem no caminhão. Vocês vão dar um passeio.
Os cordeiros ficaram alegres e disseram, lá na língua deles:
- Oba, hoje vamos passear! O pastor nos deu um prêmio pela nossa produção.
Como os cordeiros, todos calmos, e pacíficos, nunca se revoltavam. Nunca haviam pedido para ir à escola, conseqüentemente não aprenderam a ler.
E foram passear no caminhão em que estava escrito: Frigorífico.”

Uma das conclusões que se pode tirar dessa historinha é que devemos, sempre, nos perguntar sobre o sentido e os porquês das realidades que nos circundam.
Filosofar é um ato e processo humano. O Ser Humano é humano por que é capaz de refletir. É pela reflexão que se faz filosofia. Acontece que nem todos se ocupam em refletir. Nem todos se humanizam pela reflexão. Existem aqueles que preferem alienar-se ou estão alienados (fora da realidade) sem perceber os meandros das falsas aparências.
Portanto, para saber quem é capaz de filosofar precisamos descobrir quem é capaz de:
a) formar as próprias opiniões, ultrapassando o convencional e convencionado;
b) agir, movido pelas próprias convicções deixando de fazer o que está previsto só por que está previsto;
c) distinguir-se dos que aceitam ser manipulados pelas maiorias, ou minorias dominantes, apenas para não criar conflito;
d) buscar sua verdade, ultrapassando os limites das maiorias.
Além disso, aqueles que se escondem no chavão: "se os outros fizerem, eu também faço", "se vocês forem, eu também vou", não são capazes de filosofar. Aqueles a quem chamamos de "Maria vai com as outras”, os que sempre estão "de acordo com a maioria", são incapazes de filosofar: ou por que estão alienados ou por medo. Os que preferem esconder-se no discurso da "maioria", não são capazes de filosofar porque perderam sua personalidade no discurso do "outro". E serão incapazes de agir por si mesmos, enquanto não se derem ao trabalho de falar por conta própria; fazer o próprio discurso. Podemos dizer que o apego ao "discurso da maioria", é demonstração inequívoca de despersonalização, incapacidade intelectual, declaração de desumanização.
Isso não significa que devamos sempre “ser do contra” só pelo gosto de protestar. Essa também é uma demonstração de imaturidade. Se for para ser “a favor” precisamos ter os nossos motivos e não o impulso da “maioria”. Ser “a favor” ou “contra” depende não do que os outros disserem ou fizerem, mas da análise que o indivíduo deve fazer, refletindo e pesando os prós e contras. É da reflexão que nasce a decisão.
Se alguém se mantém preso à "opinião da maioria" é por que não se libertou para emitir a própria opinião. E, se não tem opinião, não tem capacidade de pensar, pois a opinião pessoal origina-se da reflexão, da leitura que fazemos da realidade circundante. Manter-se com a opinião da maioria é não saber ler a realidade e, portanto, permanecer analfabeto ao mundo... É permanecer na ignorância, com opiniões equivocadas.
Assim sendo, para saber quem é capaz de filosofar, precisamos saber quem se dá ao trabalho de refletir sobre a realidade, superando as amarras da ingenuidade, da compreensão mítica, da alienação, do senso comum, impondo-se a tarefa da análise em busca de conclusões pessoais. Precisamos saber quem é capaz de fazer algo não por causa da maioria, mas porque refletiu, pesou os prós e contras e, para se desinstalar, assumiu a posição que era necessária, não por causa da maioria nem por conveniência pessoal, mas por imperativo racional.
E o erro de julgamento? Como explicar os equívocos?
Faz parte do processo de busca. Nunca acontece acerto total. Os erros fazem parte da aprendizagem. Só erra quem busca o acerto. Tanto que, para quem se coloca numa posição de aprendiz, é possível aprender tanto com os erros quanto com os acertos.
A historinha, a seguir, sobre erros e acertos, pode nos ajudar a entender melhor a necessidade de busca:

b- Erros e acertos
“Um velho pesquisador passou a vida toda buscando uma grande descoberta. Mas seus experimentos sempre davam errado.
Um dia chegou ao seu laboratório um jovem pesquisador.
Todo empolgado, começou a encaminhar seus experimentos.
O ancião o observava. Até que se dirigiu ao novato:
- Isso que você está fazendo, dessa forma, não vai dar certo.
Ao que o outro responde.
- Quem é você para me corrigir? Você não sabe de nada, passou a vida fazendo pesquisas que nunca deram o resultado desejado.
O veterano:
- Exatamente por isso sei que dessa forma não dará certo. Eu já errei exatamente nesse ponto onde você está. Quer acertar, busque outro caminho.”

E, se quisermos um pouco mais de arrojo, podemos dizer que a filosofia é o processo pelo qual o animal, que se autodenomina racional, faz-se homem. Aquele que se admira diante da realidade, procurando compreendê-la e dominá-la, esse é o ser humano capaz de filosofar. Abrir-se ao processo de busca, estar inquieto, buscando alternativas, esse é o processo do filosofar, próprio do ser humano que não se acomoda. Enfrentar, com otimismo e coragem, as adversidades, é o caminho do filosofar. Os problemas, as dificuldades, são apenas respostas ainda não apresentadas, mas que nascerão da reflexão do ser humano.
Refletir é curvar-se diante do desconhecido buscando compreendê-lo e dominá-lo. Não é demais dizer que foram as facilidades, mas os problemas que permitiram a humanidade chegar onde está. Não fossem os problemas e a capacidade reflexiva, que dá resposta aos problemas, o ser humano ainda estaria nas cavernas. Talvez nem tivesse se transformado em Humano.
Fechar-se ao processo é alienar-se. Aniquilar-se. Desumanizar-se. Até deixar de ser humano para tornar-se, talvez, uma utilíssima minhoca.

2- DO MITO À FILOSOFIA

O ser humano sempre esteve preocupado e ocupado em conhecer e explicar a realidade.
Nos primórdios da humanidade todas as realidades, particularmente a natureza, eram muito mais inquietantes, desafiadoras, assustadoras e complexas para os primeiros homens: tudo era completamente desconhecido. Podemos dizer que nos primórdios o sentimento do ser humano em relação ao mundo era de medo.
Era, portanto, necessário, explicar o mundo para superar o medo. A complexidade do mundo circundante, ao longo de milhares de anos, possibilitou aos diferentes grupos humanos produzir diversas explicações mítico-religiosas. Podemos dizer que o medo foi cedendo lugar ao mito e à religião. Esse processo perdurou até o advento da filosofia, mas não se extinguiu completamente, pois ainda hoje somos levados a explicar miticamente aquilo para o quê não temos explicações lógico-filosófico-científica.
Eis o que diz um pensador alemão que viveu no século XIX, a respeito do desconhecido:
“Reduzir uma coisa desconhecida a outra conhecida alivia, tranqüiliza e satisfaz o espírito, proporcionando, além disso, um sentimento de poder. O desconhecido comporta o perigo, a inquietude, o cuidado – o primeiro instinto leva a suprimir essa situação penosa. Primeiro princípio: uma explicação qualquer é preferível à falta de explicação. Como, na realidade, se trata apenas de se livrar de representações angustiosas, não se olha de tão perto para encontrar os meios de chegar a isso: a primeira representação, pela qual o desconhecido se declara conhecido, faz tão bem que ‘é considerada por verdadeira’. Prova de prazer (da força) como critério de verdade. – o instinto de causa depende, pois, do sentimento de medo que o produz” (Nietzsche, 2005, p. 47)
A busca de tranqüilidade, de poder, para se contrapor ao medo, fez nascerem todas as explicações, desde a mítico-religiosa até a filosófico-científica. Do ponto de vista cronológico houve um período a partir do qual a interpretação Mítico-Religiosa cedeu lugar à explicação Filosófico-Científica. Mas para chegar a isso foram necessários muitos séculos de reflexão e tentativas de superação do medo.
Os primeiros seres humanos viam e conviviam com fenômenos que não entendiam. A primeira reação, sempre, era o medo. Mas, em seguida, sentiam a necessidade de entender suas causas e seus significados. Devemos nos lembrar que eles não possuíam os aparatos e os resultados que hoje a ciência oferece. Assim, aparelhado apenas com sua capacidade reflexiva, carregada de medos, os primeiros humanos desenvolveram várias explicações. Criaram mitos e religiões; deuses e demônios. Por isso surgiram tantas e diferentes explicações para as mesmas realidades..
Podemos dizer que todos os povos antigos utilizaram os mitos para explicar aquilo que não podiam compreender imediatamente, que representava perigo ou causava medo. Essa perspectiva mítica pode ser encontrada nos povos da Mesopotâmia, do Egito, como também entre as diversas nações indígenas da América pré-Colombiana. Em nossa sociedade são mais conhecidos os mitos criados pelos hebreus, descrevendo, na Bíblia, a criação do mundo, da natureza, do ser humano.
Nestas alturas você está se perguntando: o que é Mito e como ele se caracteriza?
Os mitos podem ser vistos como as primeiras tentativas que o ser humano fez para explicar fenômenos: da natureza e humanos; que lhe infundiam medo ou diante dos quais intuía a necessidade de respeito. Essas explicações, os mitos, podem ser caracterizados como uma explicação em que aparecem elementos religiosos, fantásticos e tem caráter explicativo. Nisso eles se diferenciam das lendas que são narrativas culturais e folclóricas.
Para entender melhor o caráter explicativo dos mitos, vamos ler uma breve caracterização de antigas narrativas míticas.

a- Mitos hebraicos e Mesopotâmicos.
Hebreus e Mesopotâmios elaboraram seus mitos para explicar a ação divina criando o mundo. Entre os Mesopotâmios desenvolveram-se várias narrativas explicando as origens do mundo e do homem. O mesmo veremos entre os hebreus que parece terem sido influenciado pela mitologia mesopotâmica. As narrativas bíblicas, principalmente no livro do Gênesis, podem ser vistos como uma espécie releitura dos mitos mesopotâmios. Isso se explica porque as origens dos hebreus remontam a migrações de Mesopotâmicos para a Palestina (da atual região do Iraque para o atual Israel). Entre os hebreus, no texto da Bíblia podemos ler mais de uma narrativa para o mesmo fenômeno, como é o caso da narrativa da criação do mundo e do ser humano.
Vamos comparar o mito babilônio da criação, traduzido por P. Grelott, com o mito bíblico. No mito mesopotâmico (babilônico) a criação se dá a partir do combate entre duas divindades Marduque e Tiamate. Depois de uma batalha Marduque aprisiona Tiamate e o matando-o em seguida. Com o sangue dessa divindade morta Marduque, o deus criador, forma o mundo e as pessoas.
Vamos ler isso de acordo com a tradução de P. Grelot, contando a criação dos Deuses, depois do mundo e dos seres humanos:
“Quando lá no alto, os céus ainda não eram nomeados e aqui em baixo a terra ainda não tinha nome; quando o primordial Apsu, seu criador, e a genitora Tiamate, que os gerou a todos, misturavam suas águas; quando os fardos de junco ainda não eram empilhados e os bambuais não eram visíveis; quando nenhum deus ainda tinha aparecido, nem recebido um nome, nem suportado nenhum destino, então, do seu seio, nasceram deuses.
[...]
Marduque assegurou seu domínio sobre os deuses acorrentados e voltou-se para Tiamate, que ele tinha vencido.
Com sua dava inexorável, fendeu-lhe o crânio.
Acalmado, o senhor contemplou o cadáver (de Tiamate): do monstro partido ele queria fazer uma obra-prima. Ele o separou em dois como um peixe seco; estendeu a metade para formar a abóbada dos céus, traçou o limite, colocou guardas e lhes ordenou que não deixassem sair as águas.
[...]
Marduque, ouvindo o apelo dos deuses, resolveu criar uma obra-prima. “Farei canais de sangue, formarei uma ossatura e suscitarei um ser, cujo nome será: homem. Sim, vou criar um ser humano, um homem!
Que sobre ele recaia o serviço dos deuses, para o bem-estar deles!” (Grelot, 1980, p. 30).
Como ocorre a criação do ser humano? Na mesma narrativa temos a resposta. Depois de uma batalha entre os deuses, um deles é imolado:
“Eles o acorrentaram e o seguraram diante de Eia infligiram-lhe o castigo merecido, cortando suas veias. Com o seu sangue, Eia criou a humanidade, e lhe impôs o serviço dos deuses, para libertá-los. Depois que Eia, o sábio, criou a humanidade e lhe impôs o serviço dos deuses, obra superior a toda inteligência, que realizou Nudimude, graças aos artifícios de Marduque.” (Grelot, 1980, p. 31)
Como podemos observar, os deuses mesopotâmicos estavam em constantes atritos. Na mitologia hebraica, na Bíblia, é um pouco diferente. Há apenas uma divindade agindo e criando os céus e o ser humano. Os hebreus apresentam uma divindade poderosa criando pela palavra, pacificamente.
Agora, sem entrar no mérito religioso, mas tomando os textos apenas como literatura, compare as semelhanças e diferenças entre o mito Bíblico e o mito Mesopotâmico. Vamos tomar, aqui apenas alguns versículos do capitulo I, do Gênesis (Gn, 1, 1-8; 26-28):
“No princípio, Deus criou o céu e a terra. Ora, terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo e um vento de Deus pairava sobre as águas.
Deus disse: "haja a luz" e houve luz.. Deus viu que a luz era boa e separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz de "dia" e às trevas de "noite". Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.
E Deus disse: "haja um firmamento no meio das águas e que separe as águas das águas" e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento. Deus chamou o firmamento de “céu” houve uma tarde e uma manhã: segundo dia.
[...]
Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem como nossa semelhança, e que eels dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”.
Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou.
Deus os abençoou e disse: “sede fecundos, multiplicai-vos enchei a terra e submetei-a” (Bíblia de Jerusalém, 1989)
Outra comparação a ser feita, para visualizar outra narrativa mítica, é do capítulo 2, 4-25. Se olharmos os textos sem os preconceitos religiosos, observando apenas sua beleza literária, podermos observar que se tratam de narrativas distintas e com ordem diferente no processo criacionista. Poderemos ver que povos distintos e em tempos diferentes, apresentaram explicações diferenciadas sobre o mesmo fenômeno: a origem do mundo e do ser humano. Isso não invalida as crenças que cada um possa ter, mas ajuda a alargar os horizontes do conhecimento.
Como eu sei que você é esperto, sei que está se perguntando: qual é a relação do mito com a filosofia?
Alguns chegam a afirmar que o mito dá uma explicação falsa enquanto a filosofia apresenta uma explicação verdadeira, mas essa parece ser uma opinião equivocada. Assim podemos dizer que tanto a Filosofia como o mito têm a preocupação de explicar. Mas fazem isso com linguagens diferentes; podemos dizer que são dois níveis diferentes de abordagem de uma mesma realidade. Pode-se perguntar, então, o que diferencia essas duas abordagens?
Veja o que Fedro, escritor romano do século I aC, em suas Fábulas, diz a respeito dos mitos:
“Devemos atentar para o significado e não para as palavras.
A lenda de Ixião em cima de uma roda em movimento é símbolo da Fortuna que sempre se transforma e nunca repousa. Sísifo, contra a montanha, empurra, com suores, a pedra, que do cume rola sempre para baixo, anulando todo o trabalho. Isso representa a infinda miséria do homem. Tântalo, com sede, em meio a um rio, é o avarento ao qual os bens da vida lambem, mas não o envolvem. As criminosas Danaides, que carregam água, eternamente, não logram encher as jarras perfuradas.
Eis aí a luxuria que, enquanto algo dá, também esbanja.
Tácito, por nove jeiras foi sacrificado, tendo o fígado inchado com acréscimo de sofrimento. Isso revela que quanto mais bens possuir, maior angústia daí advém. Os antigos revestiam a verdade com mitos a fim de ensejar entendimento ao sábio e equívoco ao ignorante.” (Fedro, 2006, p. 105).
A explicação mítica caracteriza-se pelo subjetivo, pelo religioso, pelo fantástico e simbólico. Sua estruturação lógica não se fundamenta na veracidade, mas nas suas em sua simbologia e no fim a que se destina: dar uma explicação. Não importa se essa explicação é parcial, limitada ao tempo e às contingências do volume de conhecimento que se tem no momento específico. O valor da explicação mítica encontra-se na sua própria lógica simbólica, abrindo-se às diversas interpretações. Aceita-se ou não o mito a partir de seus elementos internos.
A explicação da filosofia baseia-se na força dos raciocínios argumentativos, racionais, impessoais. O valor da explicação filosófica fundamenta-se na coerência e na razoabilidade. A filosofia se faz a partir dos argumentos que são aceitos pela sua coerência ou refutados a partir de outros argumentos, também lógicos, coerentes e razoáveis.
A questão é saber como se dá a passagem da era mítica para o tempo da filosofia. Pode-se dizer que todos os povos, em todas as épocas desenvolveram alguma "filosofia" e algum mito, pois todos os povos procuraram, a seu modo, explicar a realidade e o mundo. Mas o que hoje os livros e as escolas chamam de filosofia, que está presente nas faculdades, nas escolas de nível médio e mesmo fundamental, desenvolveu-se aproximadamente a partir do século VII aC. no mundo grego, quando as explicações míticas tornaram-se insuficientes, limitadas e mesmo contraditórias. Isso levou os pensadores a buscarem outras explicações que tivessem por base não mais o mito, a religião, o fantástico, mas a observação objetiva dos fenômenos, a classificação das respostas, a comparação de resultados, a racionalização dos enunciados. A base, antes religiosa-mítica desloca-se para um plano racional-lógico. Esse processo aconteceu, principalmente por que os gregos começaram a comparar, as culturas dos diferentes povos: respostas diferentes, de povos diferentes, para os mesmos fenômenos, geraram um ponto de interrogação. Nascia a crítica à resposta mítica.
Com isso não se pretende dizer que a filosofia nasceu para acabar com o mito, ou que durante o período em que as respostas eram míticas não houvesse filosofia. Em sentido lato, toda vez que alguém desenvolve alguma reflexão, está "filosofando". Portanto o próprio processo de criação dos mitos era um processo "filosófico". E como filosofia é um processo de crítica constante o "pensar mítico" passou pelo acrisolamento da razão, gerando o "pensar filosófico". Também não se pode dizer que a filosofia superou o mito, mas que veio como uma alternativa a ele. O gênio humano já não se satisfazia apenas com o mito. Precisava de maior profundidade, coerência e da possibilidade de ampliar os horizontes. E isso não era possível com o mito, pois este trazia uma resposta pronta e, ao mesmo tempo, subjetiva.
É bom dizer, também, que a preocupação da filosofia não era acabar com os mitos. Mesmo por que não existe apenas uma forma de se expressar uma verdade ou um ponto de vista. Assim sendo a "verdade" mítica pode conviver com a filosófica. Também precisa ficar claro que em nossos dias o leque de manifestações míticas é tão variado como são as abordagens filosóficas, sobre uma mesma realidade.
Resumindo podemos dizer que em um primeiro momento o ser humano explicou seu mundo a partir da religiosidade. Foi a fase mítica. Quando o mito começou a ser insuficiente desenvolveu-se a filosofia. E isso foi feito pelos Gregos.
E nos dias atuais, outro passo foi dado. Além das manifestações míticas do cotidiano e das correntes filosóficas que se desenvolveram, nasceram as ciências como mais uma forma de conhecer e manusear o mundo e os conhecimentos. Mas isso veremos numa outra oportunidade.

REFERÊNCIAS

NIETZSCHE, F. Crepúsculo dos Ídolos. São Paulo: Escala, [2005]
GOMES, Roberto. Critica da Razão Tupiniquim, 5 ed. São Paulo: Cortez, 1982
GRELOT, P. Homem, quem és? São Paulo: Paulinas. 1980.
FEDRO, Fábulas, São Paulo: Escala, 2006
JASPER, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultrix, 1973
MORENTE, Manuel Garcia. Fundamentos de filosofia, lições preliminares. 3 ed. São Paulo: Mestre Jou. 1967

Neri de Paula Carneiro
mestre em educação
Filósofo, Teólogo, Historiador
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