12 de mai de 2007

Mais que você

Nesta arrancada final para o fim do ano e começo das dores de barriga diante das provas do vestibular, quero levar um papo com os futuros universitários. Não que deseje fazer distinção ou discriminação de pessoas, mas por este Brasilzão que se esparrama de norte a sul e de leste a oeste tem um bocado de gente que não vai passar no vestibular.
E não vai passar, não por que não tenha estudado, mas porque não sabe pensar. E, como não sabe pensar, não consegue interpretar as questões. E não interpretando as questões... por isso é que este texto, também não será compreendido a não ser por aqueles que serão os próximos universitários. E é a esses que me dirijo.
O que estou querendo dizer é que tenho, não alguns conselhos aos candidatos à universidade, mas uma proposta de reflexão. Também quero dizer que na prática, a coisa não é tão simples como se apresenta nesta reflexão. Mas um pouco de pensamento positivo também ajuda. E isso já é uma forma refletir: quem pensa negativo corre o risco de ficar no saldo negativo.
A primeira reflexão é sobre a necessidade de manter a calma! Quem se desespera tem muito mais chances de errar e se dar mal. Portanto, esfrie a cabeça! Relaxe e ... Aproveite cada momento da vida, sem deixar de se preparar com muita leitura e atenção às aulas (para os que ainda não concluíram o terceiro ano ou estão em algum cursinho). E para quem não está estudando, estude!
Outra dica é sobre a análise da concorrência. Não se desespere. Também aqui vale o preceito de manter a calma. E faça o raciocínio que lhe proponho. Veja qual o número de candidatos por vaga. Suponha que sejam 50 vagas e a concorrência esteja na ordem de onze por um.
Neste ponto eu tomo emprestada uma história que se costuma contar em treinamento de empresários a fim de motivá-los para a superação das dificuldades e da concorrência.
Conta-se que dois homens, possivelmente turistas, andavam, calmamente numa savana africana. Lá pelas tantas aparece um leão faminto disposto a almoçar os turistas. O primeiro dos homens olha para o outro e diz: vamos correr! E o outro concorda. É necessário começar a corrida pela vida.
Só que o outro, calmamente, se senta num tronco. Tira a mochila das costas e de dentro tira um calçado próprio para corrida. O primeiro, com calçado inadequado, começa a fazer gozação com o outro: “Prá que essa preparação toda? Por acaso você pensa que vai conseguir correr mais do que o leão, só por que está com esse tênis novo e próprio para corrida?”
Enquanto acabava de se calçar, e com a maior calma que se pode imaginar em uma situação como esta, o outro responde: “Não estou querendo correr mais do que o leão! Eu só tenho que correr mais do que você!”
Então retomemos o número de vagas, que nesta nossa conversa é hipotética 50 vagas numa ordem de 11 por 1. Quer dizer, para cada uma das cinqüenta vagas existem onze candidatos.
É nessa hora que os candidatos despreparados se desesperam...
E aqui entra o candidato esperto. Entra com sua esperteza e para a universidade. Entra com a esperteza porque o despreparado se desespera. E, como sabemos, o desespero é mau conselheiro. Mal aconselhado o vestibulando desesperado esquenta a cabeça e se perde na hora de responder às questões: ou se esquece do que sabia ou marca errado no gabarito. Tudo isso porque sabe que tem onze por um.
Já o esperto, ao ficar sabendo o índice de concorrência se acalma. E diz: “tá no papo!” e papa uma das vagas. O candidato esperto sabe que não tem que concorrer pelas 50 vagas. Sabe que só tem que assegurar uma vaga. O candidato esperto sabe que não importa se entra na primeira ou na qüinquagésima vaga. Sabe que tem que entrar, e entra.
O candidato esperto faz o que fez um daqueles dois turistas, na savana africana. Preparou-se, calmamente. E sabe que seus concorrentes não fizeram a sua preparação. Aí, então ele se senta. Acalma-se e sua calma inspira mais agitação aos concorrentes. E se alguns de seus concorrentes lhe perguntam o motivo de sua calma, ele responde que não são muitos concorrentes. E diz que só tem que superar dez concorrentes. Até pode usar a expressão: “não tenho que correr mais do que o leão; tenho que correr mais que você!” E acrescenta que os outros quarenta e nove que entrarão para a universidade, eliminarão, cada um, outros dez concorrentes. E assim os cinqüenta mais preparados entram para a universidade.
E entram por que sabem que não precisam correr mais do que o leão.
Então meu amigo que se prepara para passar no vestibular. Não precisa perder a calma. Basta olhar para seus próprios méritos, acreditar em si mesmo e partir para a corrida, sabendo que tem um lugar esperando por você!

Neri de Paula Carneiro

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