6 de mar. de 2008

Ser Estudante

Neri de Paula Carneiro - neri.car@hotmail.com
Roteiro para palestra aos estudantes da FAP
Semana Acadêmica 04/03/2008

Em clima de começo de ano não é muito es-tranho que iniciemos uma conversa sobre uma temática recorrente: Trata-se do ser estudante. E, particularmente do estudante universitário. O que vem a ser essa realidade tão falada e nem sempre entendida: o estudante?
Vamos começar fazendo algumas ressalvas ao nosso tema. E começamos nos perguntando: devemos tratar do Ser Acadêmico ou do Ser Estudante?
Nós nos acostumamos a dizer que aquela pes-soa que venceu o monstro do vestibular e ma-triculou-se numa faculdade é acadêmico.
Mas o que é isso que se convencionou como Acadêmico?
Nas suas origens gregas a palavra se vincula a Platão que tinha uma escola denominada “A-cademia”, por se localizar num jardim dedica-do ao herói “Academus”. Foi uma escola di-nâmica tendo formado inúmeros pensadores. Um dos mais conhecidos foi Aristóteles. Na porta da academia de Platão havia uma placa: “Não entre se não for geômetra”. Note que embora fosse uma escola dinâmica, era, tam-bém, restritiva: restringia-se aos geômetras.
Se olharmos para o dicionário (o Aurélio, por exemplo), veremos o seguinte: Acadêmico: “Diz-se do artista ou da obra de arte que se conserva presa às regras e ao gosto do aca-demismo, numa concepção estética imobiliza-da, alheia às novas correntes de expressão”; e mais: “diz-se de manifestação artística ou cultural de um convencionalismo estreito, hostil a qualquer inovação” (Destacando que Academismo é uma ou corrente estética do século XVI que condenava as inovações e preconizava o retorno aos padrões clássicos da Antiguidade. Está, pois, inserida no contexto do Renascimento que, apesar de todas as ino-vações que produziu, neste caso produziu não um avanço, mas uma postura retroativa).
Atualmente entendemos como acadêmico é aquele que está ou que pertence à academia. E aqui a coisa se complica: entre nós academia não tem uma conotação gostosa, bonita, jovial, inovadora. Não tem aquele som jovem, alegre, descontraído, comprometido, inquieto como quem está na constante busca de algo... ainda meio indefinido... Por isso acadêmico e aca-demia, entre nós tem um ar meio rançoso e elitizado. Lembremo-nos da Academia Brasi-leira de Letras. Seus membros são até chama-dos de imortais. Mas nem sempre os melhores escritores são os membros da Academia Brasi-leira de Letras.
Assim sendo nos parece que ao invés de aca-dêmico, aquele que se arrisca num curso em uma faculdade poderia ser mais bem descrito como estudante.
Outra vez, precisamos nos socorrer com uma ajuda do “Aurélio”. Aí teremos a afirmação de que estudante é aquele que estuda. E o que é estudar?
A lista do dicionário é enorme. E não é depre-ciativa: “aplicar a inteligência para apren-der”; “dedicar-se à apreciação, análise, ou compreensão”; “freqüentar um curso”... estas acepções estão mais próximas de nós e do que fazemos. Quando somos integrantes disso que chamamos de “curso superior” estamos num ambiente em que um dos principais elementos é a BUSCA. Não é a toa que se fala do tripé da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Sendo que a pesquisa é o ponto de origem das informações a serem ensinadas na sala de aula e a extensão um caminho pelo qual as inova-ções da pesquisa são levadas à população.
Mesmo assim, podemos dizer que popular-mente existem duas concepções sobre o ser estudante. Há dois “enfoques”: um meio ma-ledicente que vê o estudante como um ser meio moleirão, matreiro, malandreante. Um ser meio indefinido que está ai só por estar, aparentemente descomprometido com seu curso e com a vida e, pior ainda, descompro-metido com as questões sócio-político-econômicas do país, do estado, do município.
A outra forma de visualizar o estudante é as-sociando-o ao movimento estudantil. Ao his-tórico do movimento estudantil que mexeu com as bases da ditadura militar. Que apontou e que ainda hoje procura alternativas para a melhoria do sistema escolar de nosso país. Nesta visão a idéia que se forma sobre o ser estudante é de alguém que não está por estar, mas está inserido numa sociedade e num gru-po que busca “algo a mais”. Aqui está presen-te a idéia de desenvolvimento pessoal e coleti-vo.
Quando nos referimos ao estudante estamos me referindo à segunda concepção que tam-bém se aproxima do que está nos dicionários. Estudante, neste ponto de vista, é uma espécie de sinônimo de dinamicidade. É alguém que, contra todas as expectativas, ainda acredita que pode construir um mundo melhor a partir de seu crescimento pessoal.
Vamos então, buscar algumas características do estudante, ou do ser estudante.
E aqui entra mais um elemento. Gostaria de dizer que aquilo que caracteriza o estudante deveria ser aquela atitude de Sócrates: andar pelas ruas e praças em busca dos saberes, aprendendo na gratuidade do puro gosto e sabor do saber.
Alias gostaria que essa fosse uma característi-ca de nós todos: estudantes e professores. Gostaria que a nossa mais marcante e definiti-va característica fosse a busca gratuita, dinâ-mica, constante do saber. Para que dissessem de nós o que se diz terem dito de Pitágoras: O rei Creonte teria perguntado a Pitágoras: “ouvi dizer que andas por aí como que a “Filoso-far?” E Pitágoras teria respondido. “Sim, mas eu não sou o ‘sófos’ [sábio]; sou apenas um ‘Filo Sófos’ [amante do saber]”. Nossa postura deveria ser, também, essa de andar filosofan-do, mas com a consciência de que não somos sábios.
Gostaria que todos nós assumíssemos a postu-ra de Pitágoras: não somos Sábios, mas pesso-as que vivem na busca da sabedoria. E com isso todos nós seriamos filósofos: aqueles que vivem, não pelo saber, mas pela busca do sa-ber. Com a consciência de que é saber que move o mundo, pois o saber produz conheci-mentos que produzem tudo aquilo de que ne-cessitamos.
Entretanto, dentro de nossa cultura, isso não é possível. Eu não seria honesto nem comigo nem com os estudantes. Nossa sociedade não mais vive pela busca do saber, mas pela von-tade de ter; a essência perde espaço para a aparência.
Portanto ao invés de falar daquilo que deveria ser, sobre o ideal, vamos comentar algumas características do real. Querendo, cada vez mais, estarmos preparados para sermos agen-tes no mundo e não simplesmente recebendo aquilo que o mundo e a sociedade nos im-põem. Como estudantes concretos, e não ide-ais, estamos aqui em nosso processo de busca.
Não nos esqueçamos que estamos inauguran-do um novo século. E ele tem exigências que nem sempre estiveram presentes no cotidiano da humanidade. Daí que nos vem a questão: o que é Ser Estudante, nos dias atuais?
Primeiramente não vamos nos prender ao ser como aquela categoria filosófica que remon-ta a Aristóteles. O que caracteriza o Ser Es-tudante, aqui para nós, são algumas atitudes que caracterizam o estudante; atitudes que lhe permitem transformar-se, diariamente, em alguém melhor. E para isso uma coisa é indis-pensável: ou seja, ser estudante. E o que é ser estudante? Ser alguém que estuda.
Muita gente se matricula; freqüenta as aulas; muitos até tiram excelentes notas. Mas não são estudantes. Não são pessoas dispostas e querendo aprender, sempre e cada vez mais! Não estudam... passam pelo curso e recebem um diploma... mas permanecem fechados em seu mundinho: não procuram nem aceitam o novo nem os novos desafios. Não são estudan-tes, mas acomodados.
Em segundo lugar podemos dizer que não é estudante aquele que vai apenas se fazer pre-sente no ambiente da academia. Estudante se caracteriza pela atitude de quem é inconformado com o que está pronto; inconformado em busca das novidades; inconformado com aquilo que tem cheiro de coisa velha. Estudante quer novidade. E as novidades não nos procuram. Nós é que precisamos procurar por elas; correr atrás delas. Principalmente nos dias de hoje em que as novidades envelhecem muito rapidamente.
Lembremo-nos da música, antiga, mas atual: “Mágoa de boiadeiro”, cantada por Pedro Bento e Zé da Estrada: No lamento do boia-deiro “que perdeu a profissão” há “saudade” e “solidão”. Por não se ter preparado para con-viver com o progresso que é sempre portador de novidades, agora é vítima dele: “Por tudo isso eu lamento e confesso que a marcha do progresso é a minha grande dor / Cada jamanta que eu vejo carregada transportando uma boiada me aperta o coração”
Além disso, o estudante valoriza aquilo que é tradicional. Pode parecer contraditório, mas não é. Tradicionais são aquelas realidades que se firmaram e afirmam, pela qualidade, ao longo dos tempos. É tão bom que não enve-lhece. Nada melhor, para ilustrar isto do que a música. Basta nos lembrarmos de quantos grupos musicais estouraram; fizeram o maior sucesso. Mas pouco tempo depois ninguém mais se lembra deles. São casos de música descartável com prazo de validade curto. Em contrapartida existem músicas tão boas que fizeram sucesso quando foram lançadas, fo-ram regravadas e relançadas várias vezes: são tradicionais. Outro exemplo: a Bíblia é um escrito de pouco mais de 3 mil anos; os vedas, dos hindus, tem 5 mil anos... não envelhece!
Com isso chegamos a uma quarta característi-ca do estudante: alguém antenado no seu co-tidiano e no mundo. Quem não está por dentro do que anda acontecendo, está fora. Não tem espaço no mundo estudantil e nem no mercado de trabalho.
Há poucos dias ouvi de um próspero empresário de nossa região a seguinte afirmação: “nós nos acostumamos a ouvir que os últimos serão os primeiros. Mas não é verdade. No mundo dos negócios, os últimos serão descartados. Só tem espaço para os primeiros, os melhores”
Cabe lembrar aquela história que é contada em treinamento empresarial, em que duas pessoas, passeando pela selva se defrontam com um leão faminto. Um dos dois se põe a correr e o outro, calmamente, calça um tênis de corrida. O primeiro argumenta; “você pensa que vai correr mais que o leão, com esse tênis?” E o outro: “Não preciso correr mais que o leão. Só tenho que correr mais que você”. O ambi-ente da competição é desumano.
Isso nos leva à uma outra característica do estudante e do processo da vida acadêmica: preparação para o mercado de trabalho. Nas primeiras aulas os professores costumam perguntar aos alunos: por que vocês estão es-tudando? Resposta ensaiada: “para conseguir algo melhor”. Mas isso é pouco. Antes de conseguir “algo melhor” a pessoa tem que ser melhor. Tem que ser mais gente. O mercado de trabalho está repleto de bons profissionais, mas poucos têm a qualidade que mais se pro-cura: gente! Gente que trabalha com o cora-ção. No mercado de trabalho o espaço está aberto para quem tem além de capacidade racional, capacidade emocional. E os estudan-tes precisam desenvolver isso, também. Em-bora o ambiente seja tremendamente racional, ao estudante cabe desenvolver suas capacida-des emocionais. “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”, dizia a rapo-sa ao Pequeno Príncipe.
Cabe mais uma característica. Estudante é solidário, amigo. Numa sociedade de indivi-dualistas e egoístas, tem espaço para quem se preocupa com o outro. É imprescindível se dar o trabalho de conhecer as pessoas, para criar laços. Lembremo-nos das palavras da raposa ao princepezinho: “A gente só conhece bem as coisas que cativou. [...]. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Com-pram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, as pessoas não têm mais amigos; se queres um amigo, cativa-me”.
Vale a pena lembrar a história do ratinho que, desesperado, procurou a galinha, o porco e a vaca para avisar que havia uma ratoeira na sede da fazenda. Não lhe deram ouvidos. Mas ao ser armada a ratoeira prendeu uma cobra venenosa que picou a mulher do fazendeiro. Seu marido matou a galinha pra fazer ensopa-do para a esposa; como não sarou, matou o porco para alimentar os vizinhos que vinham visitar a enferma que acabou morrendo. Quando morreu, o fazendeiro matou a vaca para alimentar a todos. Só o ratinho permane-ceu com vida. Tentou ser amigo, mas não en-contro solidariedade.
Além disso, o estudante precisa ter mais uma característica: ser leitor. Leitor atento, dos textos e do mundo. Nos textos buscará as in-formações que lhe permitirão crescer em sa-bedoria para ler o mundo. O mundo é um livro que precisa e deve ser decifrado. A linguagem dos livros precisa ser decifrada pela leitura cotidiana. A linguagem do mundo pode ser entendida pelo silêncio e pela proximidade: quem se faz próximo entende a linguagem do silêncio. Mais uma vez ouçamos as palavras da raposa, ao pequeno Príncipe: “eu te olharei com o canto dos olhos e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos”. Mas o leitor consegue perceber as nuances de cada situação. Se não perceber é por que ainda não aprendeu a ler.
Isso nos leva a mais uma característica: a per-sistência e perseverança. Não se chega a lugar algum se não se colocar a caminho. É no caminhar que se superam as dificuldades. E, o que é mais importante. O homem não se faz pela facilidade, mas pelos problemas, pela superação das dificuldades. A humanidade chegou ao ponto em que está, não por que existiram condições favoráveis, mas porque não havia condições.
Para ilustrar isso alguns versos da música “Até o Fim” do Engenheiros do Havaí: “Não vim até aqui /Pra desistir agora! Entendo você / Se você quiser ir embora... / Não vai ser a primeira vez / Nas últimas 24 horas / Mas eu não vim até aqui / Pra desistir agora!... / Minhas raízes estão no ar / Minha casa é qualquer lugar / Se depender de mim / Eu vou até o fim... / Voando sem instrumentos / Ao sabor do vento / Se depender de mim / Eu vou até o fim...”
As características do estudante poderiam ir se sucedendo. Mas com essas podemos nos pre-parar. Não para a formatura, mas para entrar no mundo do estudo. Um mundo que só tem porta de entrada.
Neri de Paula Carneiro
Filósofo, Teólogo, Historiador
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13 de fev. de 2008

Pensando o Amor

Everaldo Lins
filósofo

" (...) Agora, pois, permanece a fé, a esperança e o amor, estes três porém o maior destes é o amor" (Paulo.1Co.13,13).

O apóstolo Paulo eleva o amor a uma posição de destaque diante mesmo da fé, o que pode até nos parecer estranho. E é exatamente esta estranheza em relação ao amor que nos leva a indagar sobre ele.
As perguntas básicas: O que é o amor? Qual a sua natureza? O que o faz tão desejado? Por que o ser humano anseia incansavelmente por ele? São questionamentos de caráter filosóficos, portanto problemáticos quanto a uma resposta satisfatória e única. Para cada efêmera e possível resposta, surge um oceano de questões abertas e fundamentais.
O tema do amor sempre foi objeto de reflexão, continuamente ocupou e ocupa o pensamento de muitos estudiosos, no intuito de compreender como o fenômeno amoroso se comporta,se expressa a partir de quem com ele se relaciona, de forma implícita ou explícita.
Para compreender um conceito, em certa circunstância, é conveniente recorrer aos préstimos da etimologia. Vejamos: Embora saiba-se que a palavra amor venha do Latim "amor" com o sentido de afeição, amizade, "paixão", "desejo", gosto, querer etc.; estudiosos supõem que a raiz "am" se liga aos vocábulos "hómos" (do grego) significando semelhante , "am" (do sânscrito) com a idéia de honrar e "ham" (do hebraico) querendo significar queimar. Associado a essas idéias, Orsini cita Andreas Capellanus: "O amor rouba seu nome da palavra gancho (amus) que significa capturar ou ser capturado, pois aquele que ama foi capturado na malha do desejo e aspira do mesmo modo a capturar alguém. Tal como o hábil pescador busca atrair peixes com sua isca e capturá-los com envergado anzol,da mesma forma o homem que prisioneiro do amor tenta atrair o objeto de sua afeição com seduções e empenha todo o seu ânimo na união de dois distintos corações com indissolúvel laço, ou então, se os vê já reunidos, envida esforços em mantê-los assim para sempre".
Entende-se, dessa forma, que a própria noção de amor, a partir dos possíveis étimos, abre perspectiva para várias nuances significativas.
No amor há tipologia,são as várias formas através das quais o amor se expressa.Em Latim, é possível perceber o fenômeno amoroso se manifestando de quatro formas : a) "amor" o amor propriamente dito, b)"cupidu" o amor desejo,amor ardente c) "dilectio" o amor zelo,amor cuidado,amor escolha, d)" caritas" o amor ternura.
No Grego, a manifestação amorosa tem cinco aspectos, cada um com uma riqueza e sutilidade de significado, ei-los: a) "páthos" o amor desejo, b) "éros" o amor sensual, c) "stérgethron" amor paternal, d) "philia" amor amizade e) "agápe" amor ternura.
No arremate da tipologia amorosa, eis as quatro maneiras de amar proposta pelo filósofo Pseudo-Dionísio Areopagita : "...as coisas inferiores amam as coisas superiores voltando-se para estas; que as iguais amam as iguais comungando com estas; que as superiores amam as inferiores provendo-as , e que cada qual ama a si mesma conservando-se"
Essa visão racional do fato amoroso proporciona uma compreensão das várias facetas da dimensão mais profunda do ser humano e das coisas que estão ao seu redor, dando-lhe consciência do que ocorre em si mesmo.

A qualidade necessária

Neri de Paula Carneiro
Filósofo, teólogo, historiador
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Não podemos permanecer apenas nos reunindo e falando sobre os problemas. É necessá-rio refletirmos sobre a nossa pratica de professores, que alguns chamam de educadores. É preciso analisar o que queremos com o nosso SER PROFESSOR. O que nos leva a ser o que somos? Ou não somos o que dizemos ser?
Primeiramente precisamos nos lembrar que não somos apenas profissionais de educa-ção, mas colaboradores num processo de formação de homens e mulheres. Somos co-responsáveis pelo futuro de jovens que diariamente param à nossa frente para nos ouvir. Mas pecamos contra esse futuro quando queremos que apenas nos ouçam. Como professores, pre-cisamos falar, pois professor é aquele que “pro-fere” (fala diante de). E se supõe que quem se propõe a falar diante de uma classe de alunos tenha algo que professar É inconcebível um professor que não tenha conhecimentos a serem partilhados. Assim sendo, se não tens o que dizer não se faça professor!
Por outro lado, e para podermos direcionar o nosso “professar” precisamos, também, sa-ber ouvir o que dizem os alunos. Não é redundância lembrar que uma das acepções do vocá-bulo latino, aluno, significa “sem luz” e, portanto, receptivo à luz da fala daquele que se colo-ca à sua frente, o professor; o aluno é aquele que se coloca na posição de quem aprende. Isso implica dizer, também, que o próprio professor é um aprendiz, ou não é professor!
Daí vem o segundo ponto de reflexões, não menos importante que o primeiro. Como professores não somos senhores absolutos da verdade. Temos muito que ensinar – ou não se-riamos professores. Mas com qual metodologia? Precisamos, portanto, rever nossa mentalida-de, nossas posturas, para evitarmos o risco de nos considerarmos semi-deuses e subirmos em um pedestal de onde os alunos (os sem luz) virão nos adorar e beber da fonte do nosso saber. Reformular nossa maneira de pensar significa nos fazermos acessíveis aos nossos alunos. A-cessíveis não só ao nível da linguagem (falar e explicar de forma clara), mas principalmente como amigos. O processo do ensino aprendizagem não é uma guerra em que vence o que tem maior poder de fogo, mas uma relação de complementaridade em que o professor se comple-menta no aluno (só é possível falar a alguém quando tem alguém para ouvir!) e o alunos se complementam no saber do professor (só pode ser aprendiz quem não sabe, pois aquele que já sabe já aprendeu!)
E assim chegarmos a um terceiro ponto de reflexão. Algo que é fundamental em nossa ação neste caminho de amizade. Não entramos em uma sala de aula APENAS pelo salário (Exigimos remuneração condigna, mas isso não é tudo!). Da mesma forma que um médico que trabalhasse apenas pelos seus honorários seria um assassino, o professor que assim proce-desse seria mercenário. Da mesma forma que é inconcebível a prática de um médico que não queira, urgentemente, a cura de seu paciente, é impensável o professor que não deseje a a-prendizagem de seu aluno. E justamente por isso é que precisamos ser exigentes. Exigir que nossos amigos (alunos) saiam da escola sabendo aquilo que ensinamos. Não podemos permitir que nossos alunos tornem-se profissionais medíocres porque fomos relapsos ao ensinar. Te-mos que ensinar, portanto, com a qualidade de exigir qualidade de aprendizado. Havendo a-prendizagem acontece, conseqüentemente, aprovação.
Neste ponto reside a grande questão. Como professores, como amigos e como profissio-nais que prezamos nossa ação de ensino, não podemos consentir um sistema escolar que privi-legia as estatísticas. Temos visto nosso país representando um feio papel diante dos organis-mos internacionais. A quê se deve isso? Às políticas das estatísticas: inconcebivelmente nós professores cedemos às políticas que desejam altos índices de aprovação, mas não cobram altíssimos índices de aprendizagem. Somos obrigados a ceder às pressões que nos fazem nos finais de bimestres, de semestres, de ano letivo, quando nos cobram índices de aprovação sem nos cobrar aprendizagem! Com aprendizagem há aprovação, mas a política dos índices de aprovação não está preocupada com a aprendizagem.
Prova isso o fato de que tempos atrás a “média” para aprovação era sete. A necessidade de altos índices de aprovação abaixou a média para seis.
Por esse motivo vemos alunos serem aprovados sem conhecimento. Chegam e saem das escolas, analfabetos. Não porque não haja trabalho do professor, mas porque existe um siste-ma malformado, mal intencionado. Levantem as mãos, os professores, sérios naquilo que fa-zem, que nunca tenham sido, de alguma forma pressionados para aumentar seu “índice de aprovação”. Qual professor que nunca ouviu, depois de uma reunião de “conselho de classe”, comentários como: “seus alunos estão com nota muito baixa, professor”, ou “mas todos esses não alcançaram a média?”. Evidenciando que existe preocupação em alcançar a média e não com a aprendizagem, pois, repetindo, quem aprende tem nota, até acima da média. Não po-demos nos esquecer que a média é medíocre.
Podemos assim voltar à questão: o que queremos com nosso ser professor? Como anda nossa capacidade de ouvir as aspirações de nossos alunos? Estamos buscando novos conhe-cimentos, mantendo-nos atualizados? Ou nos acomodamos na aprovação mediana exigida pelo sistema que só quer estatísticas? Com que metodologia ensinamos? Para onde estamos conduzindo nossos alunos?
Não nos esqueçamos que a dimensão educativa da ação do professor depende do que se chama ensino-aprendizagem. É por meio dela é que atingiremos a qualidade necessária.

21 de dez. de 2007

Fechando para Balanço

Neri de Paula Carneiro – Filósofo, teólogo, historiador
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Nestes tempos de fim de ano, é comum fazermos balanços, avaliando a quantas anda nosso final de estoque.
Muitas vezes nos orgulhamos – ou nos envergonhamos – pelo que realizamos; agradecemos por não ter realizado algo que poderíamos ter feito e que parecia bom, mas que, depois constatamos, não o seria tanto assim; ou lamentamos por ter deixado de fazer algo que parecia péssimo, mas que, no transcorrer do processo, constatamos que teria sido excelente...
Nestes tempos de fim de ano é tempo em que fazemos avaliações em função do passado – ao quê não temos mais acesso e não há como recuperar, nem reviver, nem concertar... é tempo de sonhar com o que queremos e, em função disso, planejar o futuro – realidade sobre a qual também não temos acesso, na qual não podemos mexer, nem tocar... só sonhar, com o risco de acordar num pesadelo!
Muitas vezes nos deparamos com nossas energias concentradas no passado, ou no futuro, sem forças para viver o já... que já foi... e quando nos damos conta percebemos que o instante que vivemos é fluído demais ao ponto de nem o percebermos claramente, sobrando-nos o lamento... ou o agradecimento. E, novamente constatamos: não temos tempo...
Nestes tempos de fim de ano é quando mais nos damos conta de que não temos tempo!
Muitas vezes, em razão da falta de tempo, nos desesperamos pelo tanto que sonhamos fazer enquanto constatamos que não será possível realizar... ou, por percebermos que não dá tempo, deixamos de fazer o que podemos... e, nos dois casos, deixamos de viver intensamente o instante fluído do instante em que vivemos.
Nestes tempos de fim de ano, também olhamos para o mundo e constatamos, estarrecidos, quão errado tudo está. Tantas malandragens se impondo sobre nossos, e de outros, honrados esforços para conseguir um lugar ao sol.
Muitas vezes nos vem aquela vontade, ou mais que vontade, de jogar no lixo todos os valores nos quais fomos formados e aos quais nos agarramos para sobreviver e nos dar objetivos. Isso ocorre, principalmente, quando vemos aquele salafrário de nosso colega de trabalho se dando bem, surfando na malandragem... e nós, afogados na honestidade, na lealdade, no altruísmo... nos damos conta de que não passamos de pedra de tropeço... não passamos de degraus que outros estão usando para chegar lá onde nós temos certeza que deveríamos estar, não por puxasaquismo, ou apadrinhamento, mas por mérito e capacidade.
Nestes tempos de fim de ano é quando, com mais ira, nos sobrevém aquela triste constatação de que precisamos, com urgência, rever nossos conceitos, nossos valores, nossas expectativas sobre o mundo e as pessoas... É quando, com a mais pura transparência, percebemos, num clima de paz, harmonia, festividade, a essencial maldade humana. É quando vemos a constante ausência ser compensada com presentes que deveriam ser uma forma de manter a presença do presenteador ao presenteado, mas acaba sendo uma confissão de que nada vai mudar e as pessoas permanecerão isoladas em seus mundos mesquinhos.
Muitas vezes constatamos que o clima natalino e o de sonho de paz e fraternidade que se atribui à passagem de ano, nada mais é do que uma forma de manter e alimentar o comércio. É quando aumentam os lucros e não o processo de construção de mais humanização. É quando nos vem a mente a letra daquela música natalina:
“O tempo vai passando sutilmente
De repente,
A gente lembra que o natal
Já vai chegar...”
Nestes tempos de fim de ano é quando percebemos a fluidez do tempo que se esvai, como o sangue de nossa artéria-vida que verte inexoravelmente, nos levando para um encontro definitivo. Para fugir disso é que as pessoas fazem o que diz a continuação da mesma música:
“A praça apareceu iluminada
Na calçada
O povo pensa que em pacotes
Compra a paz”
Muitas vezes somos enganados e noutras tentamos enganar, ou nos enganar, dizendo ou fazendo de conta que o clima festivo do final do ano dará conta de resolver, como se fosse um truque de magia de mau gosto, todas as mazelas nossas, das pessoas com quem convivemos e do mundo. Mas nos pacotes de presentes que trocamos, não está aquilo que mais almejamos e com o quê sonhamos. Nos pacotes trocados, presentes dados e recebidos, está somente o gosto amargo da ausência, e uma confissão/constatação: ainda não fomos capazes!!!
Muitas vezes temos visto, ano a ano, os fins dos anos chegarem. E, como sempre, neste fim de ano veremos o fim anunciando o começo. E nestes tempos de fim de ano seria bom, e isto já é mais um sonho de fim de ano, se fossemos capazes de não criar sonhos a mais, mas traçar metas e cumpri-las. Teríamos que nos dar conta de que nosso problema não é a falta de metas, mas o não cumprimento de metas traçadas.
Nestes tempos de fins de anos, com o estoque reduzido, poderíamos não fechar para balanço, pois teremos que reabrir... e, depois do balanço, anda teremos o estoque antigo...

14 de dez. de 2007

Adolescente dá a luz

Neri de paula Carneiro
Filósofo, Teólogo, Historiador - Rolim de Moura
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Inacreditável!
Um fato esplendoroso!
Aconteceu há mais de 2000 anos.
Parece ser mentira.
Mas aconteceu!
Aconteceu para ser um evento de paz num canto do mundo que ainda clama pela paz. E embora esse canto do mundo tenha se tornado um centro, não é, ainda, um centro que irradia paz.
Mas aconteceu. E foi numa cidadezinha, perdida entre as montanhas da Palestina. Foi em Belém, na Judéia. Numa época de recenseamento. Numa situação de pobreza extrema. Numa época de conflito e de insegurança. Foi aí que uma jovem, recém-casada com o carpinteiro José, se alojou.
José e a jovem senhora saíram de sua terra para se alistar. As circunstâncias e a necessidade os levaram a alojar-se nos arredores de Belém. Num lugar público, para que o fato se tornasse mais público!
Sem casa. Sem terra. Sem teto, alojaram-se naquela gruta: espécie de estrebaria. Noite fria!
Todo mundo já notava aquela barriga: gravidez avançada! Todo mundo notava, e falava: sem casa... por que deixar nascer?... sem terra... irá sobreviver? Sem nada... nada impede que seja mais um menor carente. Padecente. Mais um filho da pobreza. Mais um menor que já nasce etiquetado, marginalizado, rotulado. Noite fria!
Gravidez avançada, ela já cansada. O jovem casal dialogante, dialogando aloja-se, marginalizadamente, ente os marginais. Nas margens da cidade que os marginaliza. Estão sós ma não a sós... e só os marginalizados, os sem nome, os mais miseráveis é que os acolhem.
Noite fria! Noite de incertezas! Noite de angústias!
A jovem senhora, cerca de 14 anos, não mais, está apreensiva: a tensão da viagem, dúvidas do porvir... quê virá, a seguir?
Mesmo assim, no meio de incerteza a jovem senhora, Maria é seu nome, sonha... e acredita!
Sonha esperanças milenares e acredita com saudades do futuro: os pobres serão exaltados... Os famintos serão saciados.. Os ricos de mãos vazias... Mas quando?
A noite é fria! As pessoas são frias! É noite... É a noite escura das incertezas...
Gravidez avançada! Noite de dúvidas! Noite de expectativas! Um sonho! O sonho é esperança! A esperança quer brilhar! E os menores? E os sem casa? E os sem terra? E os que nem chegam a nascer? E os que nascem só para morrer? E os sem futuro? É noite escura... e nesse escuro é que se espera uma luz...
A jovem senhora, nos braços da pobreza, sonha! Até quando isso?
A gravidez é um sonho! A gravidez é uma esperança!
Mas é noite... e na noite se sonha e os sonhos na noite são dores. O parto: as dores do povo sofrendo. Sem casa, sem terra, sem nome... com fome!
As dores! Uma dor brilhante! A noite grita: as dores da miséria, dos menores abandonados...! A jovem senhora estremece, soluça com o pranto de seu povo, mas sonha e crê. Mais do que sonho, ela tem uma certeza: um filho.
Na certeza, superando a incerteza, a jovem senhora dá à luz uma esperança!... ela dá a luz!
Uma esperança que teima em continuar...
Maria é mãe... Maria é mulher... Maria chora soluços de alegria: o menino é Jesus.
O sonho nasceu!
O menino é o sonho: ela ri, soluçando com seu povo. Ela ri: sabe que o sonho é esperança. Ela reza: sabe que o sonho é certeza! Ela se sabe iluminada, seu povo, os marginalizados, têm a Luz.
A Luz veio aos homens!
Através da adolescente, um menino, uma esperança, uma luz, uma certeza...
Através da adolescente, Maria, a mulher, ilumina!
Através da adolescente a Luz veio à luz!
E, ainda hoje a luz quer brilhar!!!
E a luz precisa e espaço para se irradiar, iluminar!!!

11 de dez. de 2007

MUSICOSOFIA: A música nas aulas de filosofia

Prof. Neri P. Carneiro - neri.car@hotmail.com

A filosofia pode ser uma atividade agradável e con-vidativa, no ambiente escolar secundarista e do ensino superior? Como fazer das aulas de filosofia um momento agradável, sem perder a capacidade de desenvolver a crítica que caracteriza essa área do conhecimento?
O que aqui nos move, portanto não é a discussão so-bre filosofia, mas sobre uma possível metodologia que possa ajudar aos professores a melhor desenvolver suas atividades com filosofia.

Algumas considerações.

Para isso são necessárias algumas considerações.
Em primeiro lugar é preciso dizer que a filosofia dis-tingue-se das ciências e de outras disciplinas escolares por várias razões. Uma delas é o fato de não ter como preocupação primeira a apresentação de respostas, mas a proposição de duvidas. São as dúvidas que conduzem às respostas e estas provocam o desenvolvimento ou ampli-ação do saber.
Como as ciências e disciplinas escolares, ela leva em consideração o que disseram os antigos, mas não se limi-ta a repetir o que eles disseram. E nisso está mais uma diferença em relação às outras áreas do saber. Podemos dizer que as outras áreas do conhecimento se desenvol-vem, de modo geral, reforçando o que já foi dito, ou seja, a partir da afirmação de uma verdade. A filosofia se de-senvolve colocando em dúvida a verdade apresentada. O melhor discípulo de um filósofo não é o que divulga suas idéias, mas o que o supera, como sugere R. Gomes, em “A Crítica da Razão Tupiniquim” (1982, p. 32): “Imedia-tamente após o período da criação, surge a cristalização e a esterilidade – aí encontramos os pretensos seguidores. É quando aquela intuição originária se perde nalguma escolástica. Só mais tarde surgirá o verdadeiro sucessor: aquele que disser o contrário”.
A postura negadora, da filosofia, é o que lhe dá vita-lidade, vigor e prestígio. A partir do espírito da crítica – que é a negação do que foi afirmado – desenvolve-se não a filosofia, mas o filosofar, como sugeriu E. Kant. E nisso se manifesta outra de suas características: filosofia não é algo que se ensina, como se fora regra de três ou normas de acentuação gráfica. Filosofia não se ensina, mas propõe-se desafio ao processo do filosofar. Não se ensina porque tudo que se disser sobre Filosofia será, sempre, uma caricatura; a filosofia, portanto, se caracte-riza não por ou com uma definição, mas no processo; o que importa é o processo, pois este se aproxima da dina-micidade da busca, que a caracteriza. Filosofia não é o que está pronto, mas nasce no processo do filosofar.
Claras são as palavras de Nietzsche, ao afirmar, no prólogo de Ecce Homo, que a filosofia ainda há de ven-cer pois “até agora a única coisa que foi proibida sempre, por princípio, foi a verdade”. Isso porque, diz ele, a filo-sofia é busca.

“A filosofia, como a compreendi e a vivi até agora, é vida voluntária no meio do gelo e nas altas mon-tanhas — é a busca de tudo o que é estranho e du-vidoso na existência, de tudo o que foi até agora proscrito pela moral. A longa experiência, propor-cionada por esse caminhar no proibido me ensinou a contemplar tudo de forma completamente dife-rente do que se poderia pensar as razões pelas quais até agora se moralizou e se idealizou: a história o-culta dos filósofos, a psicologia de seus grandes nomes se revelou para mim. Quanta verdade um espírito pode suportar, quanta pode arriscar um es-pírito? Isso foi se convertendo cada vez mais para mim no verdadeiro critério do valor. O erro (a crença no ideal) não é cegueira, o erro é covardia... Cada conquista, cada passo em frente no conheci-mento é conseqüência da coragem, da dureza con-sigo mesmo, da limpeza para consigo...” (NI-ETZSCHE, [2006?], p. 16)

Como tudo isso pode ser aplicado ao contexto esco-lar? A primeira dica é: Não devemos fazer das aulas de filosofia uma cantilena de repetição do que já foi dito, mas a partir do que foi falado, propor a novidade. No contexto escolar é necessário encontrar não uma forma de ensinar a filosofia, mas um mecanismo que ajude a filosofar.
E assim podemos fazer algumas afirmações, categó-ricas:

Como dar uma boa aula de filosofia?

Não existe regra.
Depende da criatividade e dos conhecimentos pré-vios do professor. Um professor de filosofia não se equi-vale ao de português ou de matemática. Ele precisa ser leitor atento, ler muito, ter conhecimentos/informações de várias áreas. Gostar da dúvida e não se sentir dono da verdade.
Mesmo quando os alunos tentem “colocá-lo na pare-de” o professor precisa manter a atitude humilde de quem sabe que não sabe, pois os alunos também possuem seus saberes.
Sendo uma disciplina sobre a qual já se formou um preconceito, sobre a qual se diz uma porção de inverda-des, ao professor cabe mostrar que a maioria das opiniões sobre filosofia não corresponde à Verdade sobre Filosofi-a.
Uma boa dose de ironia, bom humor, descontração e capacidade de improvisar e transformar as situações coti-dianas em situação problema é uma das qualidades indis-pensáveis para o professor de filosofia. Utilizar textos com mensagens já implícitas ou já conhecidos podem ajudar, mas podem, também, direcionar a reflexão; ou o que é pior podem impedir que se reflita, pois a mensagem já é conhecida...

Qual o melhor texto de apoio?

Não existe.
Qualquer texto pode ser usado, desde que previa-mente tenha sido bem estudado e direcionado para o objetivo que se quer alcançar.
Fica difícil trabalhar um tema, por exemplo, de Eco-logia com um texto que fala sobre Sexo. Já um texto bem pornográfico pode ser um excelente link para uma aula sobre família ou sobre adolescentes e, obviamente sobre sexualidade, prostituição... Isso implica dizer que o pro-blema – e a solução do problema – está na capacidade criativa do professor. Por isso a necessidade de o profes-sor ser leitor, superar preconceitos pessoais e, o que é mais importante, superar-se.
O importante não é o texto, mas a metodologia de abordagem do texto. Trata-se de fazer questionamentos ao texto. De fazer uma espécie de análise literária do texto estudado, localizando: personagens, o que fazem, por que fazem, onde o fato narrado acontece, por que acontece, qual a sua mensagem...

Qual a melhor técnica, dinâmica, metodologia?

Não existe.
O que deu um excelente resultado em alguma ativi-dade com uma turma, pode ser infrutífero com outra. O que dá para fazer é adaptar, recriar, reciclar.
Algumas dinâmicas, ou metodologias, ou técnicas podem ajudar. Entre as inúmeras que existem e que o professor pode inventar, podem ser mencionadas: Dinâ-mica de grupo (ou trabalho em grupo); Tea-tro/música/paródia; Recriar um texto na forma de dese-nho; Debate/seminário/mesa redonda; Interpretar dese-nhos, charges...
Mas acima de tudo e o que realmente importa é a-daptar e recriar.

É Fundamental!

Depois de tudo isso o fundamental é que o professor crie seus próprios exercícios. Estas podem ser desenvol-vidas com alguns textos. O texto, na realidade é só um pretexto, um gancho, um link para aprofundar o tema que se deseja trabalhar. Sobre esse tema o professor deve estar preparado e acolher as respostas dos alunos, sem preconceitos, ajudando a devolver questionamentos a fim de continuar as reflexões. Importa que o professor não encerre o debate, que não dê respostas prontas, mas desa-fie o aluno...
Não é demais reafirmar: Para o ensino de filosofia não existe receita. Podemos dizer, por um lado, que não podemos ficar presos às falas dos filósofos, mas, por outro lado, não podemos nos alienar em textos descone-xos. Aquele amontoado de textos aleatórios são mais prejudiciais para a filosofia do que as falas dos “grandes” filósofos.
Um caminho que pode ser experimentado é o de ler alguns trechos dos grandes pensadores e procurar contex-tualizá-las a partir de outros textos do nosso cotidiano. Seria algo como ouvir o eco daquele pensador no cotidi-ano das pessoas, nas artes, na literatura, nas músicas. Não de forma repetitiva, mas de forma criativa.
E por falar em música podemos fazer um largo estu-do da história da filosofia a partir de várias vertentes. Uma delas pode ser a música. Estamos propondo, portan-to, que façamos uma viagem pela história da filosofia a partir da musica popular brasileira.

Dois Exemplos

Tomemos dois exemplos, dos pré-socráticos, para ilustrar essa idéia. “Tudo se faz por contrastes; dessa luta dos contrários nasce a mais bela harmonia”, teria dito Heráclito, por volta do século VI aC. Outra de suas afir-mações é que “O frio torna-se quente, o quente frio, o úmido seco e o seco úmido”. Mas, talvez, uma de suas mais célebres frases seja esta, afirmando que “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio. Dispersa-se e reú-ne-se; avança e se retira” (BORNHEIM, [198?]). Com isso está procurando afirmar que a realidade é dinâmica, é movimento. Podemos relacionar essas idéias à música, cantada por Lulu Santos, “Como uma onda”:

Como uma onda
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar

Entre outras coisas, a filosofia se desenvolve de forma dialética. Pela oposição de idéias. É o que po-demos observar quando comparamos as afirmações antagônicas de pensadores contemporâneos. Se Herá-clito afirmava a essencialidade do movimento, o opos-to de sua posição encontraremos em Parmênides. Para este pré-socrático a essencialidade do existente é per-manente e constante. Daí uma de suas afirmações mais conhecidas sobre os princípios ou caminhos do conhecimento e sobre a imutabilidade do ser. Afirma ele que “o ser é e o não ser não é”. Nossa idéia de imu-tabilidade do destino também se origina em Parmêni-des: “Pouco me importa por onde comece, pois para lá sempre voltarei novamente.” Esse pensador é um dos primeiros a propor algumas características do “Ser”: eterno, imutável, imóvel, indivisível. O Ser, “perma-necendo idêntico e em um mesmo estado, descansa em si próprio, sempre imutavelmente fixo e no mesmo lugar”
A idéia de permanência, parmenidiana pode ser vista na música, “Cotidiano”, de Chico Buarque:

Cotidiano
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode as seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Seis da tarde, como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca prá beijar
E me beija com a boca de paixão

Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
Me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor

A partir destes dois pressupostos se construiu a história da filosofia: a afirmação de que tudo é movimen-to e se explica pelas alterações, de acordo com Heráclito; e de que nada se altera, mas permanece sendo sempre o que é, como disse Parmênides. Os pensadores oscilaram entre um e outro lado.
No transcorrer teremos aqueles que pensarão e agirão como se tudo sempre fosse a mesma coisa; e outros que defenderão as mudanças. Teremos Platão afirmando que o que vemos é aparência, e, portanto, noutras palavras falando da necessidade do espírito indagador buscar a verdade. Entretanto, em seu “Mito da caverna”, nega a possibilidade de mudança, pois aquele que sai para bus-car a novidade é assassinado pelos seus pares. Isso seria um tributo a Parmênides
Por outro lado teremos Aristóteles afirmando a ne-cessidade de identificar claramente as coisas, afirmando o princípio da não contradição, mas ao mesmo tempo dizendo que todas coisas são, em ato, o que são, mas potencialmente podem ser algo diferente. Com isso reto-ma Heráclito
Outros ensinamentos, de outros pensadores podem ser buscados e interpretados à luz do que se canta nos sucessos das paradas ou naquelas músicas que poucos chegaram a conhecer. Podem ser temas antigos ou bala-das atuais.
É possivel que algém venha nos dizer que não se pode fazer Filosofia, apenas com as músicas. Em resposta podemos dizer que também não podemos abrir mão do saber popular, presente nas músicas de um povo. E mais, é possivel fazer um estudo verificando como as idéias dos pensadores aparecem no cotidiano das pessoas e entraram na sociedade, também por meio da música.
As idéias filosóficas não se prendem às páginas dos livros. Pelo contrário, elas passam a fazer parte do cotidiano na medida que entram na arte, na literatura, na poesia, na música. Nesse processo podemos ver não só que as idéias dos pensadores se renovam, mas ver novas idéias nascendo a partir da colocação de temas propostos pela arte.
Dessa forma se pode superar preconceitos, superar medos, criar indagações, encarar as contradições.
A mente e o espírito fracos, se assustam com idéias como as de Feurbach: “O ser absoluto, o Deus do homem é o próprio ser do homem”. Ou não apreciam o sabor da novidade advinda da dúvida e por falta de dúvidas, acabam morrendo. Nos ensina Nietzsche em “Assim falou Zaratustra” (1986, p. 33): “Aproxima-se o tempo em que o homem não mais arremessará flecha do seu anseio para além do homem e em que a corda do seu arco terá desaprendido a vibrar. Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante. Eu vos digo: há ainda caos dentro de vós”. Mas hoje será que ainda temos coragem de duvidar?


Referências

BORNHEIM, Gerd A. Filósofos Pré-Socráticos, São Paulo: Cultrix, [198?]
GOMES, Roberto. Crítica da Razão Tupiniquim. São Paulo: Cortez, 1982.
NIETZSCHE, F. Ecce Homo. São Paulo: Escala [2006?]
__________ Assim Falou Zaratustra, rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986

26 de nov. de 2007

...o que fazer, então?

A pessoa triste, insegura, angustiada, agitada, nervosa, impaciente e violenta reflete o estado psicossomático em que se encontra.
Através de uma situação patológica, como a exposta acima, constatamos a crise sem precedente em que a humanidade vive. Não é um conflito oriundo apenas de aspecto social, político e econômico como alguns entendidos em estudos humanos pensam, porém esse quadro psicológico pode ser interpretado como um desequilíbrio interior, uma confusão profunda, enfim, um vazio espiritual. Como resolver esse problema avassalador? Que modelo de vida podemos seguir? Qual será o limite dessa situação? Que ser humano somos nós? Essas são perguntas que pairam no ar, sem respostas talvez.
As conseqüências dessa fase nebulosa do ser humano são: ódio, ânsia de riqueza, corrupção, descrédito nas leis, exagero sexual, competição desleal, inveja, desamor, agressividade, modismo doentio, doenças, chacinas e muito mais.
Para resolver esses problemas, o ser humano, ser frágil, busca as fugas, as soluções fáceis, tais como, curandeirismos, jogos, drogas, sexo, pseudo-religiões, pseudociências, novelas, "músicas" etc.
Esses expedientes artificiais solucionam as dificuldades intrínsecas e existenciais de cada pessoa? São eles panacéiais? Antes de nos interessarmos por estas alternativas, não deveríamos descobrir, por nós mesmos e pelos nossos relacionamentos cotidianos, o fundamento desse vazio espiritual? Sabemos que as "fugas" e as "soluções fáceis" nos dão prazer, calma aparente, dinheiro, bem-estar passageiro, "autoridade", poder sobre pessoas, domínio, vaidade e segurança; entretanto continuamos medrosos, desumanos, zombadores, dissimulados, avarentos, gananciosos, intolerantes, desamorosos e insensíveis.
O que fazer, então?

Prof. Everaldo Lins – filósofo

15 de nov. de 2007

Rondoniense por emoção

(A construção de Rondônia analisando discursos.)

Sinto-me um pioneiro,
Paulistano de nascimento
Rondoniense por emoção
Fugi da cidade grande
Procurei um lugar
Para ancorar meu coração

Aqui passei dificuldades
Por várias vezes peguei malária
Passei por muitas necessidades
Da minha terra não trago saudades
Da correria da cidade grande
Quero distancia e não facilidades

Conheci mesmo sem querer
Atoleiros bichos diferentes
Conheci arvores e frutas
Que nem sonhava existir
Mesmo sem querer vi índios
Que devido a minha ignorância
Fizeram-me fugir

O tempo passou embalado
Pelo barulho das motos serras
Das catracas dos caminhões toureiros
Era um boom sem fim
As arvores caindo e eu
Nem dando conta de mim

Aqui neste rincão
Achei minha tampa
Dona Ivone a quem amo
É a dona do meu coração
Meus filhos nasceram
E são minhocas da região

As noites escuras
A chuva no telhado
Lamparinas acesas
Deixando tudo enevoado
O pio dos pássaros
São coisas do passado

As pessoas eram iguais
Ninguém tinha menos
Ninguém tinha mais
Mas o instinto da ganância
Mudou estas gentes
Uns viraram fazendeiros
Outros madeireiros


Nunca cortei uma arvore
Nunca matei um animal
Mas sei que minha presença
Alterou este local
O rio em que eu me banhava
Virou um lamaçal

Prédios casas e praças
Dão conforto ilusório
A energia elétrica me tira o sossego
Para onde foram as corujas
As pacas as cutias e os morcegos
Eu era feliz e não sabia

Dentre todas minhas profissões
Tem uma que me é especial
Sou professor sem dinheiro
Mas com orgulho de um nobre
História é a minha área
Sou história e história faço

Não se torce os galhos
De uma arvore adulta
Quanto mais nova
Mais fácil
Acredito nas crianças
Este é o trabalho que abraço

Para purgar minhas culpas
De minha presença incomoda
Prefiro as crianças
E a elas levo o conhecimento que adquiri
Preservar a natureza
E já é tarde para agir

Com os amigos Tulha e Massur
Criamos uma ong e a CEPEMI
Não há de dormir
Como presidente eu garanto
Não vamos desistir
Lutando por este ambiente
Que ajudamos a destruir

Prof.Wolney Blosfeld

16 Anos

Para dizer a verdade pretendia nomear este texto apenas com o 16. Mas o pessoal que anda lendo poderia pensar que maluqui de vez, pois há poucos dias “soltei” umas outras linhas de pensamento com o título de 45. Naquele um dos temas centrais era o convite a olhar a bunda dela na capa da revista.
Agora a coisa é séria. São os 16 anos.
Por isso não poderia ficar só no 16, precisei adjetivar o numeral. A qualidade desse numeral, que posa de substantivo, é o fato de ele ter idade; não é um 16 qualquer, mas um total de anos.
O propósito desta discussão? Explico!
Li uma reflexão do prof. Paulo Ghiraldelli Júnior (pgjr23@yahoo.com.br), numa lista de contatos regulares. Nesse, e.mail em questão, ele distribuía sua reflexão publicada no jornal O Estado de São Paulo. Na parte que nos interessa diz o seguinte:
Parece que foi ontem, mas já faz 16 anos do fim da União Soviética (URSS). Esse número de anos é importante, o 16, pois é exatamente a idade que um brasileiro precisa ter para ganhar direito de voto. Assim, no próximo ano estarão com direito de voto os brasileiros que nasceram num mundo em que o comunismo não só deixou de existir, mas passou a aparecer na TV como o segundo mais importante vilão político do século 20 (o primeiro continua sendo o nazi-fascismo).
Esses eleitores podem bem ser os filhos dos jovens brasileiros cujas idades são equivalentes às dos que estiveram dando marretadas no Muro de Berlim.
Podemos dizer o que quisermos a respeito daquela situação; podemos condenar ou canonizar o “comunismo”; podemos dizer que a queda do Muro foi mais um golpe de marketing do que de ideologia... mas o fato é que esses dois eventos – fim da URSS e queda do Muro – foram episódios, se não conduzidos, ao menos que contaram com a adesão massiva e maciça de jovens sedentos de liberdade e com objetivos políticos; podemos até dizer que aqueles eventos, como alguns outros, em outras épocas, ocorridos em vários lugares, podem ter sido manipulados por “forças ocultas”. Mas não podemos negar a participação dos jovens.
Mas aqueles jovens cresceram; 16 anos depois, possivelmente seus filhos, como os nossos, no Brasil, se defrontam com uma situação, problemática: a crise dos rumos; crise de identidade; crise de valores... ou seja lá o que dissermos, o fato é que estamos numa época de crise!
Não vamos ser hipócritas e olhemos somente para nosso país. E aqui constataremos uma crise sem precedentes. Trata-se de uma das piores crises de nossa história: trata-se da crise de perspectivas, ou de rumos.
Não enxergamos perspectivas e não oferecemos perspectivas. Perdemos o norte. E nossos jovens são o reflexo dessa crise. E com isso chegamos ao tédio. E chegar a esse ponto é não ter rumos, objetivos... é ante-sala da morte.
Outra vez me sirvo do prof. Paulo que, embora fale com outras palavras e em seu discurso negue a crise, afirma o mesmo que estou dizendo: não sabemos para onde ir!
O que oferecemos aos jovens? Somos pessoas que passaram pela ditadura militar, que nos deixou marcas. Somos pessoas que viveram já 22 anos de democracia, mas não tiramos o País do Quarto Mundo. Mas, como não estamos vivendo uma crise grave, nos levantamos e vamos para o trabalho, cumprimos nossas funções, voltamos para casa e assistimos à TV. Se Renan Calheiros traz mais gente para posar nua, avaliamos - de preferência na internet, pois a revista está cara. E no outro dia fazemos tudo igual. Lutamos para chegar ao que os americanos chamavam de “o tédio da democracia”. Estamos contentes pelo tédio. Pois todas as vezes que nos tiraram do tédio, no passado, não foi bom. Ou foi para nos acordar à noite, nos chamar de subversivos e nos engaiolar, ou foi para nos tomar algum dinheiro por meio de um plano econômico maluco. Então, passamos a dar valor ao tédio.
Ora, o problema é que a juventude odeia o tédio. O nosso gosto pelo tédio não atrai os jovens. Não temos nada de encantador na democracia para oferecer? Tenho uma idéia para quebrar o tédio, a de dizer aos jovens o seguinte: nossa democracia não está acabada, vocês podem ser revolucionários se perceberem que democracia não é só a realização da vontade da maioria, mas a vontade da maioria associada ao respeito pelos direitos das minorias. E nisso há muito que se fazer no Brasil.
Mas nossa falta de rumo, a crise de perspectivas, atinge também a juventude. Por isso vemos nossos jovens, no alto de seus 16 anos, desmotivados de tudo. Descrentes de tudo. Desinteressados de tudo. Olhando para tudo como se isso fosse nada.
E aí me vêm, com essa coisa estapafúrdia de voto. Querem nos fazer votar para dar legitimidade ao desmando, ladroagem, corrupção, desvio de dinheiro público... e querem que os jovens, já aos 16 anos, sejam parte do processo de legitimação desse teatro dos horrores misturado com pastelão e pornochanchada
Estão fazendo até uma campanha ridícula para recuperar o descrédito a que está relegado o título de eleitor. É só olhar para a TV que a gente vê.
E assim estamos: há 16 anos sem contraponto. Aos 16 anos, prestes a cair na tentação do voto. Com 16 anos sem criar perspectivas. E, o que é pior, caminhando na direção da morte dos sonhos.

Neri de Paula Carneiro - Filósofo, Teólogo, Historiador
neri.car@hotmail.com
Leia mais:
www.filohistoria.com.br

Véus de Rondônia

O prof. Wolney acredita que é possivel lermos o hino de Rondônia com mais perspectiva de realidade e fidelidade histórica. Diz ele "Uma proposta mais adequada para o Hino de Rondônia"

Quando nosso céu se escurece
De tanta revolta da destruição
Nós os habitantes de Rondônia
Ficamos pasmados
Com tanta devastação
Como pessoas conscientes
Das mazelas da nação
Que nestas terras antes belas
Presenciam
A sua degradação

Neste eldorado tão distante
A natureza é exterminada diariamente
Os nossos índios a fauna e a flora
Morrem sem ser conhecidos pelas gentes
Maquinas e mentes vão corroendo
A beleza deste rincão
Que com tristeza nos lembraremos
Quando não houver mais solução

Azul nosso céu já foi azul
E deus permitiu que fosse assim
As hidroelétricas engolindo
Este é o triste fim
Aqui toda vida tem valor
Um valor dolarizado
E se foram nossos lagos
Nossos rios e os macacos
E tudo isso teve fim.

Letra: Prof.Wolney Blosfeld
Música: Dr. José de Mello e Silva