18 de ago de 2007

Interrogações

1. Tem uma porção de perguntas que me faço e faço a quem me aprece pela frente. Mas o diabo é que ninguém me responde. Por isso permaneço na ignorância. Veja só: já perguntei pra professor e aluno, pra padre e sacristão. Já perguntei a quem não fala e pra quem fala muito – não aos fofoqueiros, pois desses é bom manter distância!
2. E essa já uma das perguntas que faço e me faço, sem saber a resposta: Porque o fofoqueiro fofoqueia? Essa é só uma das perguntas, que talvez até tenha resposta fácil! O que me interessa são perguntas mais difíceis – que possivelmente tenham resposta mais fáceis.
3. Alguém poderia me dizer porque o limão é azedo? Ou, do lado contrário, porque a cana é doce? Mais ainda, porque a mesma terra que produz a cana doce e o limão azedo produz cada um com o seu sabor? E se plantarmos ambos numa mesma cova, o que faz com que não se misturem e permaneçam um azedo e outro doce? Afinal de contas, quem adoçou a cana e azedou o limão? E se o limão fosse doce, seria limão?
4. Isso não é tudo. Gostaria de saber quem pôs sal na água do mar? E por que a água do rio não é salgada? Se a água do rio, que é chamada de água doce, vai pro mar, por que não adoça a água do mar? Tem até um Mar Morto: quem o matou? Ou já nasceu morto? Morreu de quê? Já prenderam o assassino? Ou lá onde mataram o Mar Morto também impera a (in)justiça brasileira?
5. Tem mais. Quem ensinou o passarinho a voar? Por que ele não cai quando está voando? Será que ele não tem medo das alturas? Se é questão de pena, que pena, por que a galinha não voa, também?
6. E já que estamos no ar, quem foi que pintou o céu de azul? Será que usou rolo, pincel ou spray? Quem pintou o céu também pendurou nele as nuvens? Onde arrumaram tanto algodão para encher as nuvens? E quem foi que pendurou as estrelas? Será que deu muito trabalho? Por que elas só acendem à noite? Quem paga a conta da luz das estrelas? E quando amanhece, pra onde vaia luzinha delas?
7. Podemos continuar?! Tem outras perguntas que não querem calar! Onde fica o interruptor que acende e apaga o dia? Quando o dia fica acesso, pra onde vai o escuro? E dia se esconde aonde, quando vem a noite? E já que dizem que a noite tem boca, qual será o tamanho da escova que ela usa para escovar os dentes? Ou será que a boca da noite não tem dentes? Se não tem, quem qual foi o dentista que os extraiu?
8. Pra não deixar de falar da natureza, será que alguém sabe quem é que assopra o vento? Como é que ele faz para refrescar um dia de calor?
9. Espera aí. Ainda não acabou. Quem sabe me dizer quem esfriou o gelo? Quem esquentou o sol? Quem acendeu o fogo? Quem molhou a água?
10. Porque será que ainda não inventaram um gelo quente? Porque será que ainda não inventaram água em pó? – afinal já fazem quase tudo “em pó”... só falta a água. O problema é saber com o que se vai dissolver o pó da água!?
11. Tem até umas questões meio contraditórias: se o fogo é tão quente, porque se apaga com a água que é fria? Como pode, a mesma água que é tão fresca e que apaga o fogo, ferver ao fogo? Se a água apaga o fogo, como é que o fogo ferve a água que o apaga?
12. Não se desespere, que ainda tem mais: como pode a melancia, que é uma fruta tão grande, ser produzida por um cipozinho tão fininho, fracote, fajuto? Como pode ser tão preguiçosa uma árvore como o pé de manga, tão grande, e dar umas frutinhas tão pequenas? Mesmo a jaqueira não produz nada proporcional ao seu tamanho! E já que falamos nisso quem foi que melecou a jaca?
13. Mudando de assunto. Você sabe explicar por que a pena é tão leve, e mesmo assim, cai? E por falar em peso, qual é mais pesado, um quilo de algodão ou um de ferro?
14. Ainda tem mais: se o dia tem 24 horas por que só 12 é claro? Por que a noite faz parte do dia? Será que a noite foi feita para economizar a energia do dia?
15. Responda rápido: por que a roda é redonda? Por que o cubo não é quadrado? Por que a cobra anda, se não tem pernas?
16. Isso não é tudo. Tem mais pergunta que me deixa encafifado. Mas não vou perguntar tudo agora, se não você vai pensar que eu não sei nada! Mas eu sei, sim. Sei, por exemplo que o Sócrates, não o corintiano, costumava afirmar: “sei que nada sei”. Se ele que era sábio só sabia não saber, porque é que eu, que sou curioso não posso saber só perguntar?
17. E tem mais, dizem por aí que é mais esperto quem faz pergunta do que quem responde. Creio ser verdade, pois quando alguém responde uma pergunta sempre deixa a oportunidade de alguém lhe perguntar, como chegou a essa resposta? Por que você deu essa e não outra resposta? Há outra resposta?
18. Bom, já que “perguntar não ofende” vamos terminar por aqui. Quando é que a gente pode continuar?

Neri de Paula Carneiro

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